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O que haverá entre Miguel Relvas e Passos Coelho (e Seguro)? Um mistério da política portuguesa

João Lemos Esteves

1. Vamos ser claros. Duros, mas objectivos e honestos: o Governo Passos Coelho está morto. Não há hipótese de o actual executivo se revigorar ou sequer voltar a dar sinais de saúde. Estamos todos à espera da declaração de óbito do Governo Passos Coelho. O resto serve apenas para entreter ou para, mais tarde, se afirmar que tudo foi feito para que Passos Coelho cumprisse a legislatura. Até Ângelo Correia, o padrinho político de Passos Coelho, afirma que o Governo precisa de uma lufada de ar fresco. Ora, quando o próprio padrinho político de Passos Coelho alerta para problemas políticos do Governo, é porque os problemas são mesmos graves. Aliás, as declarações de Ângelo Correia fazem soar uma campainha em todos os que acompanham a política portuguesa com atenção: lembram-se quem é que foi o grande artífice da vitória Luís Filipe Menezes nas directas do PSD de 2007, contra Luís Marques Mendes? Foi precisamente Ângelo Correia. E quem é que precipitou a queda de Luís Filipe Menezes, possibilitando a ascensão de Manuela Ferreira Leite? Foi precisamente....Ângelo Correia. Ou seja, Ângelo Correia leva ao colo os candidatos que julga mais adequados e mais fortes em dado momento, exercendo uma tutela sobre eles; depois, deixa-os cair quando já estão enfraquecidos, incapazes de ser reabilitados...Eis o síndrome Ângelo Correia - síndrome de que Passos Coelho já está a sofrer.

2. Posto isto, pergunta-se: uma remodelação salva o Governo? A resposta é claramente negativa. Até os proponentes dessa solução, depois acrescentam que a amplitude desta remodelação seria quase total: ou seja, deveria abarcar praticamente todos os ministros...Praticamente, só o Ministro da Saúde é que se deveria manter. Mas deixemo-nos de rodeios: Passos Coelho poderia sobreviver politicamente, mantendo-se como Primeiro-ministro, após demitir todos os seus actuais Ministros? Claro que não: Passos Coelho ficaria como um Primeiro-Ministro altamente enfraquecido, liderando um Governo em que todos os Ministros achariam que mandam mais do que o próprio Passos Coelho...No fundo, seria mudar para tudo ficar na mesma. Nenhum cenário há que possa salvar o Governo Passos Coelho.

2.1. Em segundo lugar, o cenário de uma remodelação governamental, neste momento, é uma hipótese meramente académica. Isto porque dado o estado de degradação do Governo, não há certamente nenhuma personalidade de mérito e com competências reconhecidas (e minimamente sensata!) disposto a ser liderada por um Primeiro-Ministro que já se mostrou mais do que incapaz. Ou alguém acha que alguém com talento e lucidez política aceitaria entrar num Governo que está prestes a cair? Daí que uma eventual remodelação governamental seria apenas um pretexto para Passos Coelho levar para o Governo novos "Miguéis Relvas" ou novos "José Sócrates", mais boys do partido, que seriam tão ou mais politicamente desastrosos que os que já lá estão! Portanto, a remodelação - a tão falada remodelação! - é uma não solução! Apenas isso...um devaneio ou um sonho doce, romântico de Páscoa de quem não quer ver um facto que se torna cada vez mais evidente: o Governo Passos Coelho vai passar à História muito brevemente! O interesse de Portugal assim o impõe!

Passos Coelho matou o seu Governo para salvar Miguel Relvas! Porquê?

3. Chamo novamente a atenção para o caso singular (e bastante insólito) de Miguel Relvas. Como é que Passos Coelho é tão ingénuo, é tão fraco politicamente, que deixou o seu Governo ir abaixo, ser completamente desacreditado pelos portugueses só para manter o seu amigalhaço no Governo? Qual será o dirty little secret de Passos Coelho e Miguel Relvas? É assim tão forte que justifica manter Relvas, mesmo que este seja uma das causas (muito fortes) da destruição do Governo? Tudo com Miguel Relvas foi muito estranho - até a sua entrada no Governo foi algo surpreendente. Talvez um dia Passos Coelho poderá explicar...A política tem coisas muito estranhas...oh, se tem! De facto, considero que Passos Coelho deveria ser obrigado a explicar por que não demite Miguel Relvas!

Já reparam, no entanto, que António José Seguro nunca bate no membro mais fraco e polémico do Governo? Claro que nada tem que ver com o facto de Miguel Relvas ser o padrinho de casamento de António José Seguro... são outras razões....políticas, pois claro!

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