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Ribeiro e Castro critica falta de articulação entre Rio e Cristas e desvaloriza novo “brinquedo” de Santana

O antigo líder do CDS acredita que o centro-direita não conseguirá vencer as próximas eleições, se PSD e CDS continuarem a comparar “tamanhos no alfaiate”. Já Santana Lopes, esse, não entra nas contas, diz Ribeiro e Castro

José Ribeiro e Castro considera que a falta de “articulação” entre as direções de PSD e CDS só terá um desfecho: a “derrota anunciada” nas próximas eleições legislativas. E nem a Aliança, o novo “brinquedo” de Pedro Santana Lopes, como resumiu o democrata-cristão, ajudará a derrubar a esquerda.

O antigo líder do CDS participou como orador da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, onde discutiu, com o investigador Pedro Magalhães, as vantagens e as desvantagens da introdução de círculos uninominais no sistema eleitoral português. A discussão era mais técnica do que política, mas, a determinado momento, Ribeiro e Castro não resistiu a lembrar a prestação da Aliança Democrática de 1979 -- a primeira grande coligação de direita -- para deixar o mote: “Se continuarmos a ter vitórias como em 2015, vamos continuar a perder”, sugeriu o democrata-cristão.

Já no final da conferência, em declarações aos jornalistas, Ribeiro e Castro questionou a estratégia de distanciamento mútuo assumida por Rui Rio e por Assunção Cristas. “Desejaria que o PSD e CDS tivessem uma articulação superior”, caso contrário, argumentou o ex-líder do CDS, o “grande triunfador será António Costa”. E tudo por uma questão de ego. “Parece que têm tempo para ir medir tamanhos no alfaiate. [Os dois partidos] estão mais preocupados em saber se vão ter mais votos que o vizinho. Para quem acha que a geringonça é o diabo… Têm de unir forças para a combater”, defendeu.

Mesmo argumentando que essa estratégia de “medição de forças” teve origem ainda durante a liderança de Paulo Portas, Ribeiro e Castro atribuiu a culpa às direções atuais dos dois partidos, sem esquecer que Rio está agora mais na “defensiva”. Porquê? Por causa de um “brinquedo” chamado Aliança. “O PSD está neste momento mais defensivo, até porque teve este dissabor do brinquedo que saltou da pista”, foi repetindo o democrata-cristão, recusando-se, no entanto, alongar-se sobre o potencial de crescimento (e de dano que pode vir a causa) da Aliança de Pedro Santana Lopes. O PSD está neste momento mais defensivo. Teve este dissabor do brinquedo que saltou da pista. “É um força nova, veremos que apoio terá”, resumiu, antes de defender que não acredita que a “formação de mais partidos aumente o potencial de crescimento do centro-direito”.

De qualquer forma, com ou sem Santana na equação, Ribeiro e Castro não tem dúvidas: ou existe uma “cooperação” política e eficaz entre PSD e CDS, ou o centro-direita caminhará alegremente para uma “derrota anunciada”.