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Expresso

É preciso topete

O cordeiro imolado da Páscoa é... Seguro

Paulo Gaião

O Carnaval já não tinha sido fácil para Seguro.

António Costa apertou-o e ele amochou. O que diz tudo sobre a sua liderança...  

Agora é a Páscoa. O partido inteiro, com Mário Soares e Manuel Alegre à frente, sopraram-lhe que era preciso apresentar uma moção de censura ao governo. Ela já está aí.

A senhora Merkel deve ter perguntado se Seguro não é o mesmo rapaz que aprovou no ano passado o Tratado Orçamental que impõe défices a 0,5 e dívida pública a 60% do PIB.

O líder do PS apressou-se a enviar uma cartinha para Berlim (via Bruxelas) a dizer que o partido que dirige honra os seus compromissos, os do Memorando e os da regra de ouro. Lá se vai o que restava da moção de censura...  

PCP e Bloco de Esquerda nem querem ouvir falar em governo de unidade nacional. Para se proteger de ataques (muitos da ala esquerda socialista, que usa comunistas e bloquistas para fazer tiro ao Seguro) o líder socialista rejeita um executivo de consenso nacional, no actual quadro parlamentar, e quer eleições já.

Mas assim dá a ideia que quer é o potezinho de mel  do poder e que não se preocupa verdadeiramente com os interesses do país, em vésperas de poderem ser necessárias medidas alternativas de corte do défice em virtude do chumbo de normas do OE 2013 por parte do Tribunal Constitucional.

É muito natural que com esta  liderança a reboque algumas sondagens dêem o PS quase a ser apanhado pelo PSD.  

Quarta-feira Santa é o dia da entrevista de fundo de Sócrates na RTP.  Para Seguro, vai ser uma espécie de Crucificação quando vir a forma do animal feroz e os shares de audiência, sem direito a ressureição dois dias depois. Fica, claro, para cordeiro da Páscoa.  

No próximo Congresso, certamente em Abril, quando passam 40 anos sobre a fundação do PS, Seguro vai viver a apoteose.

Deverá ser reeleito secretário-geral do PS com percentagens de 90 e muitos por cento.

Deverá reunir os fundadores vivos, Mário Soares à cabeça, e o histórico Manuel Alegre num longo abraço.  

Mas vai sair ainda mais fragilizado do que entrou.  

De Congresso em Congresso, de vitória em vitória, até à derrota final... Seguro faz lembrar o frenético professor Marcelo Rebelo de Sousa (que lhe deu ontem uma valente coça na TVI) dos anos 1990, quando era líder do PSD e ia de Congresso em Congresso, com maiorias esmagadoras, até ser o cordeiro da Páscoa de 1999, em vez de Paulo Portas, e demitir-se da liderança do PSD.