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Expresso

É preciso topete

Casa Pia: a farsa chega ao fim

Paulo Gaião

Sem os holofotes da comunicação social, o chamado processo de Elvas terminou ontem com os arguidos absolvidos em virtude do principio in dúbio pro reo  

Há três anos, com os media em cima do processo principal, muitos arguidos foram condenados.

Há dez anos, as testemunhas de acusação sustentaram as condenações e alimentaram a comunicação social.

Recentemente, muitas delas negaram o que antes tinham dito, voltando a acender a fornalha dos media. 

Há oito anos, as declarações de várias testemunhas e os argumentos defendidos pelo Ministério Público serviram para não pronunciar Paulo Pedroso.

As mesmas declarações das testemunhas e os mesmos argumentos que ilibaram Pedroso serviram para levar a julgamento vários arguidos.

Há dez anos, Paulo Pedroso, então em prisão preventiva,  foi libertado em virtude de um acórdão do Tribunal da Relação que lhe foi favorável.  

Carlos Cruz, com os mesmos argumentos de Pedroso, teve de cumprir mais uns meses de prisão preventiva porque os tribunais superiores não lhe deram razão.  

Há dez anos, o então Procurador-Geral da República, Souto Moura, foi pressionado por figuras do PS para evitar a prisão de Paulo Pedroso. Não resultou. O facto é que mais à frente, Pedroso saiu do processo...  

Há dez anos, Carlos Cruz usou o meio que melhor conhecia, a televisão, para fazer a sua defesa. Ao longo do processo, continuou a utilizar os media, os livros, a blogosfera para o fazer.  Não foi suficiente... Daqui a uns dias será preso para cumprir pena de quatro anos.

Há dez anos, muitos famosos foram envolvidos no processo mas nunca foram acusados porque só uma testemunha os referia.

Outros famosos, só pelo critério de terem mais de uma testemunha a envolvê-los, tiveram o destino traçado.