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Síria: Guerra Civil

Raúl M. Braga Pires, em Rabat (www.expresso.pt)

Na semana em que começa o Ramadão, uma nova Resolução das Nações Unidas vai hoje, quinta-feira, a votos no Conselho de Segurança, com base no Capítulo VII. A Resistência síria também procedeu a uma forte ofensiva em vários bairros de Damasco, a capital.

(INICIALMENTE PREVISTA PARA QUARTA-FEIRA, FOI ADIADA 24H DEVIDO AO ATENTADO EM DAMASCO)

Esta também é uma semana de ressaca após se ter verificado mais um massacre em Traimseh, província de Hama (12.07, 200 mortos) e das deserções do General Manaf Tlas, Comandante da Guarda Repúblicana e intimo de Bashar Al-Assad e do Embaixador Nawaf Fares, creditado em Bagdade, Iraque. Fares, o primeiro diplomata sénior a virar as costas ao Presidente Assad, deu uma informação preciosa numa entrevista à Aljazeera, ao dizer que o processo de tomada de decisão está completamente concentrado no Presidente, mas que os generais que o rodeiam não lhe estão a disponibilizar a informação toda, fornecendo mesmo por vezes, informação que não é a correcta, o que nos transporta para um cenário de provável golpe palaciano em curso. O mesmo faz todo o sentido, na medida em que a solução menos má, na qual a comunidade internacional trabalha, é a de uma saída de cena da família Assad "à iémenita". Ou seja, a família deixa o poder e recolhe tranquilamente a um provável exílio na Russia, ou no Irão, enquanto que um governo provisório e de unidade nacional toma as rédeas dos destinos do país.

Compreende-se ainda melhor a aposta nesta solução, aquando da eleição do curdo Abdelbasset Sida para a liderança do Conselho Nacional Sírio, a 09 de Junho passado, em substituição do sunita Burhan Ghalioun, apoiado pela Irmandade Muçulmana síria. Para além de se querer evitar uma Síria sunita radical no pós-regime, que certamente procederá a uma caça às bruxas, potenciando o sectarismo religioso, o círculo mais próximo d'Assad, alaouita, também quer garantir a sua própria sobrevivência física e enquanto comunidade. No fundo, são estes cerca de 12% da população que mais experiência têm na gestão da coisa pública síria, administrativa, de segurança e militar e, que muita falta farão na construção da Nova Síria. Parece que os erros cometidos no Iraque, não serão aqui replicados.

Por outro lado, Israel não poderá ter mais um Estado declaradamente inimigo nas suas fronteiras. Já tem um Líbano com o Hezbollah a norte e o Egipto com a Irmandade Muçulmana e os salafistas a sul. Não quer isto dizer que Israel e a Síria d'Assad sejam amigos, mas que uma das consequências da "Primavera Árabe" é a total perda de previsibilidade do que irá acontecer já hoje e amanhã. Insustentável.

A entrada dos revoltosos no centro da capital, também acontece num momento em que Hillary Clinton efectua a primeira visita ao Egipto já em plena II República, bem como a Israel, onde debateu o nuclear iraniano. Este facto é de crucial importância, já que antes de seguir para Moscovo esta semana, Kofi Annan passou antes por Teerão e por Bagdade, numa mensagem clara de que quer que o Irão e o Iraque (onde as tensões sunitas/xíitas se vão resolvendo à bomba) sejam incluidos no processo da "solução menos má" referida no 2º parágrafo. Mohamed Elbaradei, enquanto Director-Geral da Agência Internacional d'Energia Atómica, disse uma vez que "o Irão não é um burro, logo, não deverá ser tratado como tal". Isto a propósito da "política do pau e da cenoura", muitas vezes advogada e colocada em prática, para casos sem solução à vista, os quais se vão protelando no tempo, como é o caso das negociações sobre o nuclear iraniano.

Ao mesmo tempo que tudo isto acontece, rebeldes no centro de Damasco, Clinton no Egipto e em Israel, Annan em Moscovo, Ban ki Moon, Secretário-Geral das Nações Unidas, também se encontra em Pequim e, já agora, o Embaixador sírio creditado em Rabat, é convidado a abandonar o reino, o que entretanto já efectuou.

Plano de 6 Pontos de Kofi Annan

Não estou d'acordo quando se diz que o mesmo se trata dum fracasso total. De facto, foi incompletamente colocado em prática e a espaços, durante a primeira semana d'implantação. Depois disso passou a letra morta. No entanto, é este mesmo plano que permitiu a entrada e permite ainda a permanência de 300 observadores das Nações Unidas, os únicos estrangeiros com alguma liberdade de movimentos no país, os quais estão a criar uma base de dados e a proceder à recolha de provas sobre os acontecimentos diários no terreno. Ou seja, certamente dentro dum ano, estaremos a ouvir/ler relatos destes observadores em pleno Tribunal Penal Internacional, aquando do julgamento de elementos da hierarquia militar e policial do regime, das milicias que actuam a soldo deste, ou do próprio Bashar Al-Assad, já que no cenário do golpe palaciano, nunca será de excluir a hipótese da entrega da cabeça do Presidente numa salva de prata, acto redentor para todos/as aqueles/as que agora o rodeiam.

A prorrogação desta missão, ou não, será votada pelo Conselho de Segurança na próxima sexta-feira, dia 20 de Julho. O que falhou redondamente até aqui, foi este plano não prever a aplicação de sanções, perante o seu não cumprimento. Será esse o coelho que Annan terá que tirar da cartola, para garantir a continuidade da missão. Ou talvez não, já que o mesmo tem vindo a responder desde 12 d'Abril aos seus criticos duma forma muito pragmática e honesta. "Quem tiver uma solução melhor, que faça o favor de a apresentar". Até hoje, esta tem sido a 2ª melhor solução. A 1ª ainda não foi inventada.

Posição da Russia

Num cenário d'insitência por parte da comunidade internacional sobre o Capítulo VII, sobretudo o artigo 41º, das Nações Unidas, a Russia responde com pragmatismo da Real Politik. Em primeiro lugar há duas questões que são inegociáveis para os russos, os negócios/investimentos e o Porto maritimo de Tartus, a "duas braçadas" do Canal do Suez e dos estreitos de  Dardanelos e de Bósforo, único posto militar que possui fora da ex-União Soviética. Quanto a negócios, os contratos d'armamento ascenderam nos últimos anos ao valor de 4 mil milhões de dólares pagos pelos sírios, tendo como contrapartida um investimento russo que já atingiu os 20 mil milhões de dólares, estando de momento, por exemplo, a ser construida uma refinaria de gás pela empresa Stroytransgaz. Caso o poder mude de mãos na Síria, muito provavelmente os russos serão afastados deste palco, por interesses muito mais próximos da Turquia, das monarquias do Golfo e do Ocidente.

Por outro lado, há que perceber mais 3 factores importantes. Em 1º, o cenário é de Guerra Fria no Médio Oriente e há que tomar uma posição, escolher um lado. No sentido da Grande Estratégia regional, o que se passa na Síria é o cenário onde são projectadas as tensões locais entre sunitas e xíitas, entre otomanos e persas, entre sauditas e iranianos, entre islamistas e laicos, agora também com um "minúsculo" Qatar a agigantar-se. Portanto, deste ponto de vista, trata-se de uma questão de credibilidade, o posicionamento russo, já que foi sempre através do parceiro sírio que entrou no Mundo Árabe. Em 2º lugar, os russos pura e simplesmente não confiam nos europeus e nos americanos. O exemplo do que aconteceu dias depois da aprovação da Resolução 1973 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Março de 2011, a propósito da Líbia, ainda não foi devidamente digerido pelo Kremlin, o que nos transporta para a 3ª razão. Ou seja, a Russia de Putin, precisa de marcar a diferença relativamente à Russia de Medvedev. O Artigo 41º, poderá na prática conduzir precisamente a uma situação semelhante à da Resolução 1973, já que sanções que não incluam o uso da força armada, mas que incluam uma total ou parcial interrupção de relações económicas e de comunicação por terra, mar, ar, correio, telégrafo, rádio, ou outros meios, poderá logo de seguida degenerar na criação duma zona de exclusão aérea.

Posição da China

A China lê os acontecimentos da seguinte forma. A queda do regime de Bashar Al-Assad será um primeiro passo, para numa lógica dominó, de seguida cair o regime dos Ayatollahs no Irão. Faz sentido e não andará muito longe das contas efectuadas pelos estrategas americanos, sobretudo após a "Primavera Persa" ter falhado nas presidenciais de 2009, onde o candidato reformista Mir-Hossein Mousavi Khameneh, o grande opositor do Presidente Mahmoud Ahmadinejad, ter sido derrotado, muito provavelmente fruto de fraude. O "Movimento Verde", de protesto e constituido após o desfecho eleitoral, continua em lume brando, aguardando pelo melhor momento para emergir. Ora as razões da China também são simples. O petróleo que compra ao Irão, constitui "apenas" 20% daquilo que consome na totalidade e  não se pode dar ao luxo de os dispensar, num cenário dominó, conforme referido e, sobretudo num momento em que já outros 20% do seu consumo total lhe faltam, após a partição do Sudão, há já um ano.

Guerra Civil

Parece uma questão semântica, mas não o é. A 12 de Junho, Herve Ladsous, Chefe da Missão d'Observadores das Nações Unidas na Síria, surpreendeu meio Mundo ao afirmar que já não havia dúvidas de que o país tinha mergulhado num estado de guerra civil. A outra metade do Mundo não ficou espantada com a afirmação, nem com o facto de se evitar classificar o conflito sírio como tal. As razões são simples, já que o facto alteraria completamente as regras do jogo. As leis da guerra passariam a vigorar, tendo que se respeitar as Convenções de Genebra e Protocolos Adicionais, aqueles que são hoje considerados como criminosos e terroristas passariam a ter o estatuto de legitimos combatentes, legitimando também o uso de material de guerra mais pesado, de parte a parte. A Revolução, deixava de o ser. A pior das situações para os sírios e para a região, em oposição à opção "mal menor à iémenita".

Em rigor, o actual status quo interessa a todos. Até mesmo aos sírios, por incrível que pareça!

 

Tabela Estatistica (15.03.11 a 15.07.12)

19.867 mortos, 1.522 são crianças, 1.477 são mulheres

65.000 desaparecidos

212.000 detidos

1.000.000 de deslocados na Síria

200.000 refugiados, na Turquia, Líbano, Jordânia, Egipto, Golfo e Europa

1.400.000 em risco de fome, dados da FAO

 

Raúl M. Braga Pires escreve de acordo com a antiga ortografia

 

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N.B. Para aceder à Versão em Árabe, clique no título em português e depois desça até ao fim da nova página que entretanto abriu. Em "Relacionados" encontrará PDF Click to see Arabic Version (Versão Árabe).

 

ENGLISH VERSION

 

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Syria: Civil War

During the week which marks the beginning of Ramadan, a new United Nations Resolution will today, Thursday (initially programmed to be on Wednesday), be voted by the Security Council, under Chapter VII. The syrian Resistance also began a strong offensive in several neighborhoods in Damascus, the capital.

This is also hangover's week after a new massacre happened, this time in Traimseh, Hama Province (July the 12th, 200 dead) and after the defections of General Manaf Tlas, the Republican Guard Commander and Bashar Al-Assad intimate, plus Ambassador Nawaf Fares, based in Baghdad, Iraq. Fares is the first senior diplomat to turn his back on President Assad, giving a precious information on an Aljazeera interview, saying that the decision making process is completely concentrated on the President, but that the generals who surround him are not giving him the all information, providing him sometimes even with false information, which gives us a most probable ongoing palace coup scenario. It makes sense, being the least good solution in which the international community has been working lately, meaning a Yemen type way out for the Assad family, leaving power and going to a comfortable exile, most likely in Russia or in Iran. Meanwhile, an interim patriotic government gets in charge.

This solution becomes even clearer after the election of kurdish Abdelbasset Sida to the head of the Syrian National Council, on June 09, replacing the sunni Burhan Ghalioun, backed by the syrian Muslim Brotherhood. Besides wanting to avoid a post-regime sunni radical Syria, which will certainly proceed to a witch-hunt, potentiating the religious sectarianism, the alawi Assad's inner circle also wants to assure its own physical survival and as a community. In reality, these 12% of the population is the percentage of the population with the most administrative, security and military experience, decisive in the New Syria building process. It seems that the mistakes made in Iraq won't be repeated here.

On the other hand, Israel can't have another declared enemy State at its borders. It already has Lebanon with the Hezbollah on the north and Egypt with the Muslim Brotherhood and the salafis on the south. This doesn't mean that Israel and Assad's Syria are friends, but that one of the consequences of the "Arab Spring" is the total loss of predictability of what will happen today and tomorrow. Unsustainable. 

The rebels' arrival at the capital center also happens in a moment when Hillary Clinton makes the first visit to Egypt, already in its II Republic and to Israel, where she debated the iranian nuclear issue. This fact is of the most crucial importance, because before going to Moscow this week, Kofi Annan passed through Teheran and Baghdad, on a clear message that wants Iran and Iraq (where the sunni/shia tensions are being solved by the bomb) to be included in the "least good solution" referred in the second paragraph. Mohamed Elbaradei, while Director of the Atomic Energy International Agency, said once that "Iran is not a donkey, so it mustn't be treated like one", referring to the "stick and carrot policy", many times used in cases with no solution at site, like the iranian nuclear negotiations.

While all this happens, rebels in the Damascus center, Clinton in Egypt and in Israel, Annan in Moscow, Ban Ki Moon, United Nations Secretary General is also in Beijing and, by the way, the syrian Ambassador based in Rabat, is invited to leave the kingdom, what already happened.

Kofi Annan 6 Points Plan

I disagree when it's said that the plan is a total failure. In fact, it was incompletely put in praxis and by bits, during the first's week implementation. After that, it just didn't exist anymore. However, is this same plan that allowed the entrance and still allows the presence to 300 United Nations Observers, the only foreigners with some freedom to circulate in the country, which are creating a data base and proceeding to daily events prove collecting on the ground.

In other words, certainly in a year, we'll be hearing/reading reports from these men in the International Criminal Court, when judging elements from the regime's police and military hierarchy, from the militias working for the regime and/or even, Bashar Al-Assad in person, who knows! In a palace coup scenario, we can never exclude the choice of handing over Assad's head in a silver plate, certainly a redemption's act for those surround him right now.

The mission's extension, or not, will be voted by the Security Council on next Friday, the 20th. What completely failed here so far is the fact that this plan doesn't provide a sanctions application plan, when not accomplished. This is the rabbit Annan must take from the topper hat, in order to guarantee the mission's continuity. Or maybe not, since April the 12 he has been answering to his critics in the most pragmatic and honest way. "Who has a better solution, please present it". So far, this has been the second best solution found. The first was not invented yet.

Russia's Position

On the pressure scenario hold by the international community based on the United Nation's Chapter VII, especially on article 41, Russia responds with the Real Politik pragmatism. First of all there are two questions absolutely nonnegotiable to the Russians. The business/investments and the Tartus sea port, "two stokes" away from the Suez Canal and the Dardanelles and Bosphorus straits, besides being the only military facility russians have outside the former Soviet Union. Business wise, the armament deals achieved the 4 billion dollars in the past few years, paid by the syrians, having as benefit a russian investment which already achieved 20 billion dollars, being for example, under construction now a gas refinery, by Stroytransgaz. In the case of a syrian power change, most probably the russians will be thrown from this stage, by interests closer to Turkey, the Gulf monarchies and the West.

On the other hand, there are still another 3 key factors to consider. Firstly, there's a Cold War scenario in the Middle East and a need to take a position, to choose a side. In the sense of the regional Grand Strategy, what happens in Syria is the scenario where the local tensions are projected, between sunnis and shias, between ottomans and persians, between saudis and iranians, between islamists and seculars, now with a "tiny" Qatar giganting itself. Hence, from this perspective, it is in fact a credibility mater, the russian positioning. The syrian partner was always is way in the Arab World. Secondly, the russians just don't trust the europeans and Americans. The example of what happened days after the approval of Resolution 1973 by the United Nations Security Council, in March 2011, on Libya, was not yet digested by the Kremlin, which takes us to the third key factor. Putin's Russia needs to distinguish itself from Medvedev's Russia. Article 41, can in praxis induce towards a similar situation, just like Resolution 1973, since sanctions which don't include the use of armed force, but include complete or partial interruption of economic relations and of rail, sea, air, postal, telegraphic, radio, and other means of communication, might right after degenerate on the creation of a non flying zone.

China's Position

China sees events from the following angle. The fall of the Assad regime will be the first step to, on domino logic, the fall of the Ayatollahs' regime in Iran. It makes sense and it won't be much away from the calculations made by the american strategists, especially after the "Persian Spring" has failed on the 2009 presidential elections, where the reformist Mir-Hossein Mousavi Khameneh, the main opponent to President Mahmoud Ahmadinejad, was defeated, most probably through fraud. The protest "Green Movement", created after the election, stills brewing in silence, waiting for the right moment. China's state reasons are also very simple. The oil bought from Iran, is "only" 20% of what it consumes in totality and just can't afford to spare it, in a domino scenario, especially in a moment another 20% of its total consumption is missing, since Sudan's partition, already one year ago.

Civil War

It might look like pure semantics, but it isn't. On June the 12th, Herve Ladsous, United Nations Observers Chief Mission in Syria, surprised half of the World saying that there were no more doubts about the state of civil war in the country. The other half of the World wasn't that much surprised with this classification, neither with the fact that authorities keep avoiding assuming the inevitable. The reasons are simple, this fact would change completely the rules of the game. War laws would have to be implemented and would start to run the show. The Geneva Conventions and its Additional Protocols would have to be respected, those considered criminals and terrorists today, would have the status of legitimate combatants, legitimizing as well the use of heavier war weaponry for both sides. The Revolution would be no more. The worse of the choices for syrians and for the region, in opposition to the "least good solution Yemen style".

Strictly speaking, the current status quo is convenient to all parts, even to syrians, as incredible as it might seems!    

 

Statistics (March 15th 2011 to July 15th 2012)

19.867 dead, 1.522 children, 1.477 women

65.000 disappeared

212.000 detained

1.000.000 internally displaced

200.000 refugees, in Turkey, Lebanon, Jordan, Egypt, Gulf and Europe

1.400.000 in risk of famine, FAO data

 

N.B. To access Arabic Version, please click on the portuguese title above and then scroll until the end the new opened page. In "Relacionados" you'll find PDF click to see Arabic Version (Versão Árabe).