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Boko Haram e o novo Califado

Raúl M. Braga Pires, em Rabat (www.expresso.pt)

Na sequência do texto anterior sobre o Golpe d'Estado no Mali, o qual começa a correr verdadeiramente mal, sobretudo para a legitimidade inicial dos militares que o levaram a cabo, é também necessário mencionar a lógica existente entre o eixo AQMI/Boko Haram/Al-Shabaab.

Se por um lado, a Comissão Militar Conjunta da Região do Sahel (CEMOC)/Força de Contraterrorismo do Sahel empurram os jihadistas do AQMI para o Centro/Sul do Continente, a partir precisamente do norte do Mali, nos antípodas, as forças militares do Quénia, da Etiópia, do Governo Federal de Transição da Somália (TFG) e da Missão da União Africana na Somália (AMISOM), fazem exactamente o mesmo aos jihadistas  da Al-Shabaab, no sentido inverso, mas também Centro/Sul. O ponto de convergência tem sido o norte da Nigéria, onde o Boko Haram nunca brilhou tanto como nos últimos dias, desde a sua formação em 2002.

Ambos estes factores conjugados com o facto de os Taliban até há pouco tempo terem estabelecido negociações com os governos afegão e americano com os  intuito de abrirem uma Secção de Interesses no Qatar, significa um reconhecimento mútuo e uma entrada dos primeiros no circuito cocktail da diplomacia internacional. Por outro lado, também significa que o projecto de constituição do Califado no Afeganistão, deixou de fazer sentido.

As acções indiscriminadas do Boko Haram, sobretudo desde o natal passado, numa lógica de guerra psicológica, com a exigência de uma fuga massiva dos Káfires (descrentes em Allah), neste caso os cristãos, leva a crer que este desejo de purificação do território norte da Nigéria, faz do próprio o mais recente eleito para a instalação do novo Califado.

Por outro lado, este facto dá imenso jeito a quem os combate, já que o pior cenário é o de uma pulverização territorial, como a que tem vindo a acontecer até aqui no poroso Sahel, de Nouakchott a Mogadiscio.

 

A jornalista Cristina Peres assina este sábado um trabalho sobre o evoluir da situação no Mali, na versão impressa do jornal Expresso.

Audio/Expresso a propósito da Cimeira da Liga Árabe de Bagdade, realizada a 29 de Março.

 

Raúl M. Braga Pires escreve de acordo com a antiga ortografia

 

N.B. Para aceder à Versão em Árabe, clique no título em português e depois desça até ao fim da nova página que entretanto abriu. Em "Relacionados" encontrará PDF Click to see Arabic Version (Versão Árabe).

 

ENGLISH VERSION

 

Boko Haram and the new Caliphate

Following the prior text about the Coup d'Etat in Mali, which starts to go really wrong, especially for the initial legitimacy which motivated it, we also need to mention and explain the existing logics in the axe AQIM/Boko Haram/Al-Shabaab.

If in one hand the Joint Military Staff Committee of the Sahel Region (CEMOC)/Sahel Counter-Terrorism Force pushes the AQIM jihadists towards the Continent's Center/South, precisely from the north of Mali, in the antipodes, military forces from Kenya, Ethiopia, Somalia's Transitional Federal Government (TFG) and African Union Mission in Somalia (AMISOM), do exactly the same to Al-Shabaab jihadists in the opposite sense, but also towards the Center/South. The convergence point has been the north of Nigeria, where Boko Haram never shined so brightly just like in the later days, since its beginning in 2002.

Both this factors combined with the fact that the Taliban just recently kept negotiations with the afghan and american governments, with the goal of opening an "Embassy" in Qatar, means a mutual recognition and a Taliban debut on the diplomatic cocktail circuit. On the other hand, it also means that the project to create the Caliphate in Afghanistan just doesn't make sense anymore.

The Boko Haram's indiscriminated actions, especially since last Christmas, following a psychological war logics, demanding a kafir's (unbelievers in Allah) massive run from the north of the country, makes us think that this desire of territorial purification, makes it the most recent elected place for the constitution of the new Caliphate.   

On the other hand, this fact makes life easyer for those who fight these jihadists, since the worst scenario is the one of a territorial spaying, as it has been happening so far in porous Sahel, from Nouakchott to Mogadishu.  

 

N.B. To access Arabic Version, please click on the portuguese title above and then scroll until the end the new opened page. In "Relacionados" you'll find PDF click to see Arabic Version (Versão Árabe).