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Expresso

Keynesiano, graças a Deus

De recessão em recessão até à vitória final

Nicolau Santos

Nicolau Santos

Diretor-Adjunto

Os dados do Boletim de Primavera do Banco de Portugal provam que o país está no caminho certo: a recessão este ano vai ser pior do que o banco central previa, estamos no terceiro ano de recessão e o próximo pode também continuar essa tendência.

O crescimento previsto para 2014 (que foi revisto em baixa de 1,3% para 1,1%) pode cair pelo menos mais 0,8 pontos se o Governo aplicar mesmo um novo corte nas despesas públicas da ordem dos dois mil milhões de euros.

Não se sabe de onde é que o Banco de Portugal extraiu este número. Até agora, o número mágico do corte era de 4000 milhões. E em qualquer caso, todos os números avançados foram sempre superiores aos 2000 milhões no qual o banco central se baseia para as suas projeções.

Ora se o corte for amaior, quer dizer que, com grande probabilidade, Portugal cumprirá em 2014 o seu quarto ano de recessão, em vez do tal crescimento anémico de 0,3%..

Por outro lado, o banco central agrava as suas previsões para a quebra da procura interna, com destaque para o investimento, que desde 2008 regista já uma quebra acumulada de 40%.

O Banco de Portugal, contudo, constata que "o processo de redução dos desequilíbrios estruturais deverá continuar a marcar a economia portuguesa nos próximos anos, sem o qual não é possível assegurar um crescimento sustentável".

É evidente que se continuarmos a comprimir a procura interna, com realce para o consumo e o investimento, é óbvio que os desequilíbrios externos continuarão a melhorar fortemente. Só não se sabe quais serão os tais motores de crescimento sustentável de que fala o Banco de Portugal. As exportações, que representam 30% do PIB, chegam? Obviamente que não. Como mais nada está a funcionar, de onde virá esse mírifico crescimento sustentado?

Pouco importa. Se o Banco de Portugal o diz, devemos acreditar. O lema é de recessão em recessão, até à vitória final. O Banco de Portugal sabe que ela vai acontecer. Só não sabe é quando.