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Keynesiano, graças a Deus

As confissões do sr. Selassié

Nicolau Santos

Nicolau Santos

Diretor-Adjunto

O chefe da missão do FMI para Portugal, Abebe Selassié, deu uma entrevista à agência Lusa, onde na prática diz o seguinte:

1) "O resultado do desemprego é muito infeliz, é mesmo muito pior que o esperado". Tradução: falhámos nas nossas previsões sobre o desemprego. Sabíamos que ia aumentar, não sabíamos que seria tanto. E continuamos sem perceber porquê. Alguém nos explica?

2) Continuar a insistir nas metas sobre o défice colocaria uma pressão indevida sobre a economia e aumenhtaria ainda mais o desemprego. Tradução: aceitámos aumentar os valores para o défice e dar mais um ano para Portugal cumprir os 3% pela óbvia razão que nem este ano, nem no próximo nem no seguinte, Portugal conseguirá cumprir essas metas. E não queremos continuar a andar de falhanço de previsão em falhanço de previsão. 

3) "É muito desapontante que os preços da luz e das telecomunicações não estejam a descer". Tradução: pressionámos para que fossem feitas as privatizações na área da energia, pois com mais concorrência os preços iriam descer. Afinal, continuam a subir. Ou seja, falhámos. Alguém nos explica porquê?

4) "Não existe muito mais a ser feito ou que não esteja a ser pensado para tentar estimular o crescimento". Tradução: depois das reformas, das privatizações, das reduções dos direitos laborais, das subidas de impostos e cortes na despesa, não percebemos porque não está a funcionar a austeridade expansionista. Alguém nos epxilca?

5) As pequenas e médias empresas continuam a ter dificuldades em aceder ao crédito". Tradução: não ouvimos nada do que nos disseram, desde o tempo do meu antecessor, o sr. Paul Thomsen. Ele sempre disse que não via que houvesse um estrangulamento do crédito às PME. Agora, concluímos que afinal havia. Mas já vemos sinais de que vai passar.

6) "A composição das medidas para alcançar as metas do défice é da responsabilidade do Governo". Tradução: foi o Governo que quis aumentar brutalmente os impostos, Nós achámos mal, mas não dissemos nada. Deixámo-los fazer o que queriam. Agora são estes os resultados. Mas nós, FMI, não temos nada a ver com isso.