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Expresso

A Europa desalinhada

O euro continua em perigo

A mais longo prazo, o futuro da moeda única e da governação da União Europeia continuam ameaçados, considera a imprensa europeia.

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Cento e dez mil milhões de euros, dos quais quarenta e cinco mil milhões este ano, eis o muito aguardado plano de ajuda para salvar a Grécia da falência, aprovado em 2 de Maio pelos ministros das Finanças da Zona Euro. Trata-se de um "apoio esforçado, que afasta o espectro de cessação de pagamento e vai dar tempo à Grécia para aplicar na sua economia uma terapêutica de choque de uma rara violência", constata o Libération. Mas "os Estados da Zona Euro já não tinham alternativa, com o pânico dos mercados perante o risco de falência grega a ameaçar atingir outros países da Zona Euro, a começar pela Península Ibérica".

Le Figaro congratula-se com o facto de "finalmente se perfilar um epílogo para a crise grega". A União Europeia contribuirá para este plano com 80 mil milhões de euros, enquanto o Fundo Monetário Internacional injectará 30 mil milhões, o que constitui "algo nunca visto na história financeira recente". Mas "a Zona Euro travou o incêndio", assegura Der Spiegel na capa, fazendo o exame de "a última das bolhas". Porque a Grécia era apenas um início.

Segundo o semanário, os Estados industrializados há muito que vivem acima das suas posses e a crise financeira fez crescer dramaticamente as dívidas públicas. Hoje, é chegada a hora de pagar a factura por essa prosperidade a crédito. "Nem todos vão conseguir pagar", aponta Der Spiegel, esboçando um cenário apocalíptico de desmoronamento financeiro, a começar em Atenas e arrastando a Europa e o mundo numa crise maior que a desencadeada pela falência do banco Lehman Brothers em 2008. "As economias mundiais encontram-se perante a alternativa de uma cura de desintoxicação muito dura ou um longo definhamento."