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Expresso

A Europa desalinhada

Madrid foi vítima das circunstâncias

Os seis meses passados à frente da União Europeia terão sido uma dura prova para o Governo espanhol.

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Em vésperas do fim da presidência espanhola da União Europeia (UE), é inevitável que se tente fazer um balanço desta. Inevitável não quer dizer fácil. Em primeiro lugar - apesar de esse argumento poder parecer gasto - é ainda demasiado cedo para se avaliar o impacto das principais medidas adotadas durante o semestre. Em segundo lugar, e esse aspeto tem uma importância quase igual, porque não há qualquer precedente de uma presidência como a que o nosso país teve de assumir.

No que se refere às medidas, a mais importante é sem dúvida a que diz respeito ao novo papel do Banco Central Europeu (BCE), que, na sequência das decisões aprovadas no mês passado, foi reorganizado num sentido que aponta finalmente para a emergência de algo semelhante a um governo económico europeu. Resta saber se se trata de uma mudança conjuntural ou estrutural. Ou seja, se, quando as águas da atual crise financeira refluírem, a coligação rigorista liderada pela Alemanha irá insistir em (e conseguir) que o BCE volte a preocupar-se exclusivamente com a inflação. Portanto, fez-se de facto história mas não sabemos se com letra maiúscula. Em todo o caso, conforme demonstra a reunião do G20, a luta pela regulamentação dos mercados financeiros está longe de ter terminado (e talvez nunca venha a estar, já que se trata de um processo por natureza tão incerto como difícil).