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Expresso

A Europa desalinhada

Dinamarca: a arte de ser um bom populista

Em menos de dez anos, o Partido do Povo Dinamarquês passou de um pequeno movimento de extrema-direita para o estatuto de membro de pleno direito do espectro político.

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A ponte entre Copenhaga e Malmo é muito bonita. Mas, para os milhares de dinamarqueses que são obrigados a habitar do lado sueco e a atravessá-la todos os dias para irem para o trabalho em Copenhaga, a ponte do Oeresund é um símbolo de exclusão. São obrigados a pagar, todos os dias, para entrarem no seu próprio país, onde não podem residir porque são casados com estrangeiros.



As leis dinamarquesas sobre imigração são especialmente rígidas. Muito duras para os requerentes de asilo, proíbem o casamento com um estrangeiro com menos de 24 anos e impõem elevadas exigências aos imigrantes. Para a obtenção de licença de residência, foi recentemente introduzido um sistema de pontos. Os imigrantes têm de ter, durante um mínimo de um ano, "participado activamente na sociedade dinamarquesa". E quando o cônjuge é estrangeiro, têm de provar que têm mais "afinidades" com a Dinamarca do que com o país do cônjuge.



Assim, Bolette Kornum, controladora financeira, não pôde regressar a Copenhaga com o marido, que é egípcio: o serviço de Imigração considerou que tinham mais laços com o Egipto. Ela fala árabe, ele não tem família na Dinamarca e viveram juntos vários anos no país do marido. Vão, pois, viver para o Egipto, foi a indicação das autoridades. "Toda a minha vida paguei impostos, mas deixei de ser bem-vinda no meu próprio país." Actualmente, 6.000 famílias habitam do outro lado da ponte. "Isto destruiu várias vidas", declara Bolette Kornum.