Siga-nos

Perfil

Expresso

Contra-semântica

O nervosismo da direita fanática

A direita tem uma proposta: tentar atingir os objetivos que se propôs a atingir, com mentiras, em 2011. E ao mesmo tempo que finge ser sua e não do TC a decisão gloriosa de devolver salários e pensões, anuncia o corte de 600 milhões nas pensões, isto é, aquilo que foi declarado inconstitucional. Numa frase, a direita quer insistir na miséria até 2019.

Agora está nervosa, porque o PS estudou, de facto, o quadro macroeconómico do país real, estudou-o com gente séria, com previsões sérias, com cálculos de margens de erro. O nervosismo é tanto, que a reação da Troika governante e dos seus comentadores de serviço demorou o topete de 5 minutos, com a arma esgotada de sempre, essa frase: - "regresso ao passado". É a direita dos interesses paralisada discursivamente em 2011, quando a mesma e Cavaco, numa intriga organizada, expulsaram o PS de cena porque, dizia-se, "o país não aguenta mais sacrifícios".

Acontece que os cidadãos vão ser chamados a julgar tal imperativo conspirativo, os seus resultados, como o PIB ter recuado mais de 10 anos, o emprego mais de 15 anos e o investimento mais de um quarto de século.

O "aguenta, aguenta" substitutivo do "país não aguenta mais sacrifícios" aconselha a comparar o DEO de 2011 e as previsões atuais do Governo. Só no emprego, a dimensão do falhanço é de 300 mil, para já não falar da dívida, jurada para 102% e agora em mais de 130%. Tudo isto releva não apenas da irresponsabilidade de uma direita fanática, mas da sua total falta de credibilidade.

Como é possível um Governo dizer-se de sucesso e apontar metas para 2019 que ficam aquém das metas que há quatro anos apontava para o ano presente?

É este Governo que tem o descaramento de atacar o PS com palavras vazias.

Ainda nem tinha bem acabado a conferência de imprensa de apresentação do Cenário Macroeconómico e já estava um vice-presidente do PSD (José Matos Correia) a atacar o relatório. Perguntado, reconheceu que não tinha tido oportunidade de ler o documento. Estamos esclarecidos: acham mau porque sim, acham mau mesmo sem lerem. Já sabiam que opinião tinham antes de conhecerem.

Depois, outros dirigentes da Coligação fizeram contas. Primeiro, Cecília Meireles dizia que as medidas que constam do cenário macroeconómico teriam um custo de três mil milhões de euros. Depois, Pires de Lima apresentou uma fatura mais em conta: 2,2 mil milhões. O rigor desta Direita a fazer contas está à vista.

O estudo foi elaborado por uma equipa de 12 economistas reputados, a maioria deles independentes e que nunca poriam em causa a sua credibilidade científica e profissional para fazerem "más contas" para o PS.

Todas as medidas estão quantificadas e cada cálculo pode ser demonstrado. O Governo não pode dizer o mesmo das suas contas. Sabemos pela UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental), e diz-nos a experiência, que este governo é que não sabe fazer contas, de tal modo que em quatro anos nunca cumpriram os objetivos que traçaram.

Penso que o país entende o nervoso da direita perante o trabalho do PS. Entende, também, a má-fé da reação da coligação. É que agora têm uma oposição com um plano estruturado para fazer as respetivas propostas.

 Para troca, têm um país saqueado.