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Um poliglota

O inglês e o castelhano de Sócrates são sofríveis, mas diferentes.

Vasco M. Barreto

O inglês de Sócrates é uma manifestação da sua circunstância social. Traduz a sua geração, pois será cada vez mais improvável que alguém chegue onde ele chegou a assassinar o inglês daquela maneira. Traduz também a sua educação, feita longe dos círculos burgueses e letrados dos grandes centros urbanos (penso no anglófilo Jorge Sampaio).

O "portunhol" de Sócrates é sobretudo uma manifestação da sua personalidade. Percebe-se ali o espírito de "desenrascanço", um fura-vidas, uma enorme e algo autista confiança, a coragem, ousadia ou lata para enfrentar a elite económica e financeira de Espanha com tão parcos recursos.

São trivialidades, mas não deixa de ser curioso que Sócrates seja involuntariamente mais genuíno quando se expressa em estrangeiro do que na sua língua materna.