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Expresso

Aparelho de Estado

Quinta-feira há cozido, sexta-feira há moção de censura.

O PCP é um partido que se conformou com uma estratégia defensiva, parlamentar, a mendigar uns votos e uns deputados, mesmo quando o "imperialismo, estado supremo do capitalismo" atravessa uma das maiores crises de sempre.

Tomás Vasques

O PCP apresentou uma moção de censura ao governo, a qual vai ser discutida no Parlamento sexta-feira, perante a indiferença do país. A decisão do Comité Central dos comunistas tem três objectivos. Um: enquadrar politicamente a manifestação dos funcionários públicos, marcada para 29 deste mês, e outras contestações sociais que eventualmente possam surgir; dois: marcar a "agenda" política da oposição, retirando iniciativa e margem de manobra ao BE; três: "demonstrar" que o governo socialista não cai porque é sustentado pela "direita", ou seja, sublinhar que "são precisos dois para dançar o tango". A apresentação desta moção de censura não vai dar mais um voto ao PCP, antes pelo contrário. Lembremo-nos que o resultado das grandes manifestações dos professores e da função pública, conduzidas pelo PCP, levaram os comunistas a partido com menos deputados na Assembleia da República. O PCP é um partido que vegeta num limbo: não é um corpo de "revolucionários profissionais", à moda leninista, preparados para a tomada do poder por meios violentos, nem um partido "reformista" que usa a sua expressão eleitoral para chegar ao poder, por via democrática, e alterar a condições de vida e de bem estar dos cidadãos. O PCP é um partido que se conformou com uma estratégia defensiva, parlamentar, a mendigar uns votos e uns deputados, mesmo quando o "imperialismo, estado supremo do capitalismo" atravessa uma das maiores crises de sempre. A derrota em 25 de Novembro de 1975 e a queda do muro de Berlim desmoralizaram-nos totalmente. O "mundo socialista" em que se revêem, a começar na Coreia do Norte e a acabar em Cuba, deram-lhe a estocada final.