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Presidenciais em tempo de crise

Há sinais claros de que as próximas presidenciais têm ainda pano que chegue para o aparecimento de mais candidatos, quer de um lado, quer de outro.

Tomás Vasques

O Verão começa amanhã, apesar da forte brisa que nos fustiga, como se estivéssemos no Outono; as notícias e declarações sobre o apagamento de José Saramago ocupam o espaço informativo, enquanto aguardamos que a selecção nacional de futebol, a jogar de luto, no primeiro dia de Inverno (lá onde vai jogar), não esmoreça, nem desmereça a nossa atenção por mais uns dias. Mas tudo isto não passa de um compasso de espera até à entrada em força das eleições presidenciais. Há sinais claros de que as próximas presidenciais têm ainda pano que chegue para o aparecimento de mais candidatos, quer de um lado, quer de outro. A provável candidatura de Cavaco Silva está ameaçada por parte da sua base social de apoio, conforme foi revelado pelo senhor Cardeal Patriarca e pelas "pastorinhas do Estoril", enquanto Manuel Alegre, a menina dos olhos do BE, se confronta com a debandada de parte significativa da base social de apoio dos socialistas. Se as coisas ficarem com estão, assim mansinhas, apenas anunciando o confronto político entre Cavaco Silva e Manuel Alegre (porque uns - à direita - têm medo da segunda volta; e outros - os socialistas - não encontram quem represente genuinamente o seu espaço político), pode acontecer que Fernando Nobre faça o papel de Manuel Alegre nas últimas presidenciais e absorva os votos (de um lado e de outro) dos que não se sentem representados neste magro espectro. Em tempos de crise, em tempos que exigem grandes reformas, ter na Presidência da República "um mal menor" é mau para o exercício do cargo e é péssimo para a democracia.