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Precários nos querem, unidos nos terão

A compulsiva precarização das relações de trabalho tem vindo a tornar mais difícil a luta dos trabalhadores e o seu enquadramento dentro dos sindicatos.

Tiago Mota Saraiva

Os precários não têm somente um vínculo laboral instável, como por vezes, a sua própria actividade profissional é oscilante - quem não conhece jornalistas, temporariamente, a fazer trabalho de secretariado ou licenciados em história a servir cafés?

Contudo, se nos sectores associados à actividade produtiva directa, no campo ou na indústria, os sindicatos foram conseguindo trabalhar de modo a alcançar inúmeras conquistas sociais, ainda resta muito trabalho pela frente nos sectores intelectuais.

Em primeiro lugar, é urgente consciencializar os próprios da sua condição de classe. A obtenção de um canudo ou de um título antes do nome não deve ser um factor de diferenciação entre um bolseiro universitário e um operário têxtil.

Em segundo lugar, e continuando com o mesmo exemplo do bolseiro e do operário, não é surpreendente que aufiram o mesmo vencimento mensal ainda que o operário tenha um vínculo laboral mais estável, direito à greve, à baixa ou ao 13º e 14º mês. A acção dos sindicatos e as suas lutas de décadas junto do proletariado, permitiram maiores avanços e conquistas que outros sectores tradicionalmente associados à classe média e à pequena e média burguesia - ainda que se torne cada vez mais ridículo ouvir trabalhadores intelectuais precários, que tantas vezes não auferem um salário mínimo por cada um dos meses do ano, declararem-se como parte de uma classe média temporariamente empobrecida.

É neste sentido que organizações como os Ferve, os Precários Inflexíveis ou o MayDay, são importantes para organizar a luta dos trabalhadores intelectuais. Serão tanto mais importantes quanto a sua acção inorgânica permitir que os seus integrantes ganhem consciência de classe e adiram a estruturas sindicais. Farão as delícias do patronato, quanto mais se afastarem dos sindicatos e da luta de todos os trabalhadores.

(também publicado no 5dias)