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Expresso

Aparelho de Estado

Passos Coelho é o Messias

Não está ainda em morte política, mas Sócrates aproxima-se da morte cerebral. A estratégia de berrar alto - no caso contra o perigo neoliberal - só funciona por um bocado e com alguns miúdos.

Rui Passos Rocha

Sócrates arrisca-se a transformar Passos Coelho num candidato professoral, o Messias por quem meio PSD aguarda desde os dois mandatos e meio de Cavaco (a outra metade acha que já há um Messias: Santana Lopes ou Jardim, dependendo do grau de insanidade mental).

Ao dizer que Passos quer mudar a ponto de rasgar o Estado Social em favor do neoliberalismo, Sócrates consegue provocar um bocejo à maioria do eleitorado - uns porque os tecnicismos são enfadonhos, outros porque já só querem que o primeiro-ministro se encoste num qualquer grupo de trabalho da ONU - e uma gargalhada à minoria restante.

Para gáudio de alguns comediantes sem assunto, Passos poderá vir a adoptar a estratégia do professor-disciplinador: voz grave, costas endireitadas ao máximo humanamente possível e comunicados breves dizendo o óbvio olhe que não a Sócrates: como qualquer outro partido moderado europeu, o PSD não põe em causa o Estado Social - tão velho tão velho, e tão marcante para a identidade europeia, que quando nasceu ainda Mário Soares era comunista e Cavaco se baldava às aulas.

Por mais que a propaganda se esforce, a realidade é perceptível pelo grosso do eleitorado: nem o PSD é neoliberal, nem o PS é socialista; são ambos sociais-democratas, com uma ou outra diferença programática em aspectos sociais mas essencialmente iguais em matéria económica. A liberdade que Passos quer introduzir no Estado Social é pouco diferente da que Sócrates tentou - e em parte conseguiu - implementar entre 2005 e 2008.