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Expresso

Aparelho de Estado

Governo europeu ou governo das potências europeias?

Hoje, em Bruxelas, muda-se a ordem política europeia. O poder não se conquista, perde-se. E os Estados que precisam de socorro orçamental perderam-no.

Henrique Burnay

A discussão sobre a perda de soberania dos Estados-membros da UE há muito que está ultrapassada. Aderindo à coisa e deixando que a União crescesse em competências e funções, a soberania ficava irremediavelmente tolhida. Insistir nessa discussão é tão interessessante como debater a Revolução Francesa. É muito interessante,  mas é história.

O que hoje se discute em Bruxelas é a maior transformação da UE a que assistimos nos últimos anos. Com a soberania orçamental limitada, está em causa quem manda no quê e em quem. 

Alemães e franceses têm sido pródigos a impor menos soberania aos parceiros, mas estão pouco dispostos a abdicar da sua. Daí que queiram um modelo de governação económica em que todos mandam, menos os que não cumprem as regras. Ou sejam, manda a Alemanha e a França (cumprindo ou não). A alternativa seria um governo económico verdadeiramente europeu, em que um poder mais ou menos democraticamente legitimado tutelasse todos por igual. É natural que o Parlamento Europeu o deseje, mas não vai ser assim.

O poder não se conquista, perde-se. E os Estados que precisam de socorro orçamental perderam-no. A História pode não ser agradável, mas é o que é.