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Francisco Assis

Tu quoque, Francisco Assis?

Adolfo Mesquita Nunes (www.expresso.pt)

Não esperava, sinceramente que não, a atitude de Francisco Assis de compactuar com um acto politicamente indefensável de um dos seus deputados, contribuindo para a banalização e aceitação de uma tentativa deliberada de condicionar a liberdade de expressão (querem ver que agora também não houve tentativa de calar os jornalistas, porque para isso haveria que os matar?).

E não esperava porque, no espectro socialista, e no âmbito desta legislatura, Francisco Assis tem quase sempre atenuado com moderação os excessos socialistas (muitos deles de Ricardo Rodrigues), contribuindo para uma pacificação do discurso parlamentar que tem de ser registada. 

Vê-lo desculpar Ricardo Rodrigues, sem lhe assacar qualquer responsabilidade (o que, no caso, obrigava à sua demissão de Vice-Presidente da bancada se o senhor não tivesse a decência de renunciar ao mandato), é por isso algo que me pasma. Não que não possam existir, pessoalmente e até politicamente, afinidades e solidariedades com o Deputado que furtou os gravadores, mas porque, em política, há limites. É certo que esta coisa dos limites é algo que, com este PS, tem vindo a ser esquecida. Mas há limites. Começa é a haver menos gente que os conheça e lembre.

publicado originalmente n'O Insurgente.