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A União Europeia mudou de natureza. Goste-se ou não, isto agora é outra coisa. Para que conste.

Henrique Burnay

As notícias das últimas semanas, além de apresentarem um caminho para a saída da crise agora, são a maior transformação na natureza da União Europeia desde Maastricht. Ao fim de alguma hesitação e discussão, os alemães (sobretudo os alemães) descobriram como retirar soberania orçamental (fiscal e económica incluída) a uns países sem a retirar a outros (à Alemanha, por exemplo): o mecanismo de controlo prévio das propostas orçamentais, o reforço do papel da Comissão Europeia, e a possibilidade de os países que são chamados a intervir em caso de crise financeira também poderem intervir, antes, na política orçamental, tudo isto são reformas profundas na natureza da UE. Pode-se gostar, não gostar ou, simplesmente, reconhecer a inevitabilidade. Mas não se pode fingir que não se percebeu o que se está a passar.

A União Europeia acaba de mudar radicalmente. Se sobrevive ou não à crise, isso é outra conversa.