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Cavaco Silva, o génio da banalidade

Num involuntário acto de justiça poética, Cavaco concedeu que seria sua vez de se exilar numa ilha vulcânica. 

Bruno Sena Martins

Nos tempos em que era vivo, numa breve alocução sobre o actual Presidente da República, José Saramago baptizou Cavaco Silva de "génio da banalidade". Por esta e por outras, não será preciso ser génio para perceber o quanto há de ressentimento na tão discutida ausência de Cavaco, como também se percebe, ainda sem rasgos de maior, que nessa omissão se cumpriram as exéquias ao mito do abnegado Chefe de Estado.

Por outro lado, sem ironia, acredito que Cavaco fez bem em ficar pelos Açores, afinal, num involuntário acto de justiça poética, mostrou aceitar que seria a sua vez de se exilar numa ilha vulcânica. É pena que tão genial simbolismo tenha cedido à banalidade do regresso a São Bento, o único erro de Cavaco em toda esta história.