Siga-nos

Perfil

Expresso

Aparelho de Estado

Cavaco esteve bem

Tiago Mota Saraiva

Não gostei de ver Francisco Louçã utilizar as cerimónias fúnebres de Saramago para salientar a ausência de Cavaco. Percebo o significado político que Louçã lhe quer dar. Com todos os silêncios e ausências de Alegre, desta vez, o candidato estava do lado certo. Contudo, por concordar com o texto da Andreia Peniche, não queria ver Cavaco na homenagem a Saramago.

O apelo à presença de Cavaco é um apelo à hipocrisia, e a política, como Louçã sabe, está a travar uma batalha fundamental com a hipocrisia. Na morte de Saramago a representação do Estado foi feita pelo povo, por aquelas pessoas que ostentavam um livro ou um cravo, uma dedicatória obtida numa Feira do Livro e até por aquela senhora que, aos microfones da RTP, dizia que não sabia ler nem escrever mas que Saramago havia escrito coisas lindas.

Pouco me interessa o incómodo de Cavaco, mas sentiria como um insulto à memória de Saramago a sua presença. Cavaco fez muito bem em não estar presente e a sua ausência (tal como a de Jaime Gama) são circunstâncias que prestigiam e dignificam a homenagem.