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A verdadeira diplomacia económica

Está hoje a decorrer, por baixo das nossas barbas, uma autêntica guerra fria entre os EUA e a China por conta das manipulações chinesas sobre o mercado cambial.

Tiago Moreira Ramalho (www.expresso.pt)

1. Enquanto a China era um anão económico, pouco interessavam os seus movimentos em política económica. O impacto era irrelevante. No entanto, isso mudou rapidamente. A China tornou-se, enquanto o diabo esfregou a vista, a terceira economia mundial e a quarta economia com a maior fatia das exportações que se fazem em todo o mundo. A sua política monetária tem, por isso, um impacto tremendo.

2. Claro que ninguém se aborrecia caso a China concorresse de forma leal no mercado mundial. Se deixasse que o valor da sua moeda fosse definido pelos mecanismos normais de oferta e procura, não haveria qualquer problema. A questão é que o governo chinês decidiu manter a sua moeda artificialmente desvalorizada, por forma a manter as suas exportações acima das importações. O resultado é que hoje a China é o país do mundo com maiores reservas de divisas estrangeiras e os Estados Unidos, que jogam limpo no mercado mundial, geraram um colossal défice externo.

3. Hoje, através da imprensa, notamos uma certa impaciência em Washington perante a postura chinesa. Há anos que a China mantém o seu yuan fixado num intervalo apertado. A pressão americana pouco tem feito - apenas uma pequeníssima flexibilização que, na prática, tem um efeito ridículo. E se é certo que cada país tem direito à sua política económica, também é verdade que os países não actuam sozinhos. A insistência chinesa na subversão das regras pode muito bem desencadear bloqueios mais ou menos drásticos que compensem a manipulação. Daí a uma crise diplomática, será um pequeno passo.