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A estrela Carlos Queiroz

Longe de ser a terceira melhor equipa do mundo (como o ranking FIFA engana), a milhas da qualidade da Argentina, da Alemanha ou do Gana, a equipa de Queiroz voltou para casa. A eliminação da selecção às mãos da campeã europeia até parece uma situação normal, num mundial em que Portugal abdicou do futebol - excepção feita ao jogo com a Coreia do Norte que, aliás, começou bastante mal.

Tiago Mota Saraiva

Queiroz ainda não percebeu que um seleccionador se tem de adaptar aos jogadores e não o contrário. Por isso é que nas selecções o nome de treinador perde eficácia. Aliás, selecções que se adaptam aos modelo de jogo do clube da maioria dos clubes de proveniência dos seleccionados, o que seria da Espanha sem o Barcelona ou do Portugal de Scolari sem o Porto de Mourinho? Queiroz não só não o percebeu como as suas opções violentaram as rotinas naturais dos jogadores que seleccionou - desde um Ronaldo a jogar a ponta de lança, um Liedson ou Hugo Almeida a jogarem a extremos, um Deco a jogar no flanco (teve toda a razão nas críticas!), e um Pepe sem ritmo a trinco. Mas os erros de Queiroz começaram logo nas suas escolhas. Recorde-se que Fábio Coentrão não era uma escolha certa, e jogadores como Carlos Martins, João Moutinho ou João Pereira - de longe o melhor lateral direito português, fizeram muita falta.

Aquando do anúncio das escolhas dizia-se que era a táctica. Que Queiroz havia optado por um 4x4x2 e não pelo tradicional na selecção portuguesa dos últimos anos 4x3x3. Mas a táctica da selecção foi precária. Do 4x4x2 do inicio de partida passava rapidamente para um 4x1x4......1 ficando Ronaldo parado na frente. Depois, sempre que algo não estava a correr bem, sentia-se as hesitações do banco. Quando Queiroz mexia na equipa era a desgraça. Embora as alterações fossem sempre um pouco as mesmas como refere o Nuno, os que ficavam dentro de campo, não sabiam o que fazer. Ontem, no jogo com a Espanha, depois de tirar um inspirado Hugo Almeida deixando Ronaldo sozinho na frente, demorou uns minutos para ter de desfazer a substituição colocando Liedson. Mas para onde foi jogar Liedson? Para extremo, continuando Ronaldo, sozinho na frente.

Queiroz foi um excelente treinador de selecções jovens. Aí sim faz sentido chamar de treinador, quando muito há a aprender e quando os jogadores ainda estão por trabalhar. Os jogadores que chegam a uma selecção sénior já são todos profissionais experimentados, têm rotinas de jogo e sabem perfeitamente onde devem jogar. Queiroz teve a arrogância de pensar que era a estrela da companhia quando, no fundo, era apenas um seleccionador.

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