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100 reféns

Que tipo de jogadores de futebol são os nossos políticos?

Os políticos adoram misturar-se com o "desporto Rei" (expressão ainda usada apesar de vivermos em "modo República" há 100 anos). Mas o que seriam eles num relvado de futebol?

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Não há nenhum político que não ceda mais cedo ou mais tarde à facilidade de se socorrer da promiscuidade com a "redondinha" para captar ou desviar atenções. Na verdade nunca vi ninguém misturar a política com o pólo aquático, o que até faria mais sentido dada a quantidade de água que se mete tanto num caso como no outro. Mas que tipo de jogadores de futebol seriam alguns destes políticos afinal?

Durão Barroso - Durão é como o nome indica defesa central. Começou a jogar a extremo esquerda mas depressa percebeu que evoluía mais se recuasse um pouco no terreno e mudasse de partido, perdão, de corredor. Deixou o radicalismo que lhe valeu alguns cartões vermelhos e acabou a jogar à defesa como lateral, desta vez bem encostado na direita, onde tem mais hipóteses de jogar. Trocou Portugal pelo sonho de jogar num grande europeu. Acabaram de lhe renovar contrato.

Aníbal Cavaco Silva - É um estratega. Número dez puro. Mede com precisão cada passo que dá e casa passe que faz. Segura a bola como ninguém e tem uma capacidade de levar pancada fora do comum. Serenidade em campo que lhe valeu a alcunha de "El Presidente". Forte nas bolas paradas. Economiza o esforço e a imagem dentro e fora de campo como ninguém. Tem a arte de desaparecer no jogo e reaparecer em momentos chave sempre com bons resultados. É de uma extrema correcção tanto com os colegas de profissão como com o juiz da partida. Um Deco do mundo político.

José Sócrates - Um "carregador de pianos" segundo o léxico da bola. O Paulinho Santos do PS. Pouca técnica ou classe mas resistência a tudo. Terrível nas marcações homem a homem e implacável no desarme. Não perdoa nem esquece quem o tenta atingir e não perde oportunidade de ajustar contas, o que é igual a fractura exposta na jogada seguinte. Acredita até ao último minuto da partida mesmo quando os colegas de equipa já desistiram. Se for preciso vira-se contra eles. Joga muitas vezes de forma menos convencional para obter resultados. É esguio a fugir ao vermelho e gosta de provocar árbitros e adversários. Passa do ar ameaçador à cara de santo em milésimos de segundo, confundindo quer espectadores como os próprios intervenientes do jogo.

Pedro Santana Lopes - É um ponta de lança nato. Gosta de marcar mas não gosta muito de correr. Se for possível a bola bater-lhe por acaso e entrar na baliza agradece e festeja da mesma forma exuberante. Semeia o pânico nas contas camarárias, ou melhor, nas balizas adversárias dos estádios por onde vai passando.

José Pacheco Pereira - Foi colega de equipa de Durão quando este jogava na esquerda. Transitou para o lado direito mas com claras dificuldades de adaptação. Gosta de jogar para ele e esquece-se que o futebol é um jogo colectivo. Adora gabar-se mas nunca marcou um golo sem ser na própria baliza. Contesta muito os colegas de equipa o que tem causado desconforto e instabilidade nos balneários. Um individualista na opinião de muitos. Para outros simplesmente não foi feito para o futebol.