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100 reféns

O PS diz mata. O PSD diz esfola-se tudo e assunto arrumado

O PS quer portagens nas SCUT do Norte. O PSD diz pague-se em todo o país e em força. A única diferença que ainda subsiste entre PS e PSD é mesmo o "D". No resto são iguais.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

O Governo pretende cobrar a circulação a partir de 1 de Julho em algumas auto-estradas que até agora não tinham custos para os seus utilizadores. Todas situadas no Norte do país. O PSD diz alto e pára o Tango que se é para começar a pagar tem de tocar a todos. Não há cá filhos e enteados. De Norte a Sul querem ver tudo a dar à via verde. Sete SCUTS. Sete mealheiros. Da Via do Infante a Viana do Castelo. Assim é que é bonito.

São os princípios do "utilizador pagador" e da "universalidade" no seu esplendor. Não há alternativas? Paciência. São injustas? Temos pena. Também existe o princípio do político mentiroso que consiste em prometer algo durante uma campanha eleitoral, como por exemplo que determinada auto-estrada não irá ter portagens, e depois não cumprir. Mas o princípio do político mentiroso não tem portagens. Se tivesse tínhamos a grande parte dos nossos problemas resolvidos.

Tudo isto é revelador da fraca e comprometida oposição que caracteriza o maior partido político de direita. O PSD tudo tem feito para ajudar este governo em estado paliativo a conseguir implementar as medidas que bem entende e quando entende, arranjando sempre forma de parecer que está contra mas permitindo e solidarizando-se sempre na sua aplicação.

Este PSD é uma no cravo e muitas na ferradura. E neste caso concreto das SCUTS até foi mais papista que o Papa. O PS disse pague-se apenas aqui. O PSD quer ver tudo a pagar e a questão fica arrumada. Menos uma chatice daqui a algum tempo. Menos uma medida incómoda que terão de tomar num futuro próximo. Menos protestos que terão de enfrentar. Mais protestos que o PS tem de enfrentar no presente. Tudo perfeito. Até parece combinado.

É caso para dizer para que raio serve este PSD? Eu ajudo: para ajudar este governo a ter um funeral decente. E depois das cinzas do crematório político renascer um novo Governo igualzinho ao falecido mas com outras caras a espremerem as mesmas laranjas. E a laranja portuguesa começa a não ter sumo para isto tudo.