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Expresso

100 reféns

O Estado Português é completamente Shopaholic

Desde as flores ao Tony Carreira, dos panamás e pins aos automóveis de alta cilindrada. Eles compram tudo, tudo, tudo. Nós pagamos a factura.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Qual é o problema de uma Câmara Municipal estar falida? Em cada dez uma está nesse bonito estado é certo, mas já viram alguma fechar as portas? Não pois não? Era só o que faltava. E porque é que chegaram a esta situação? Fácil. Gastam muito. Gastam muito mesmo. E mal. E gastam a fazer o quê? A alcatroar as ruas? A pagar as facturas com dois anos de atraso aos fornecedores? A procurar resolver os problemas que afectam o comum cidadão?

Claro que não. Em época de aperto as autarquias preferem ouvir o Tony agarrado ao microfone a cantar baladas ou gastar milhares em jantaradas pagas com cartões de créditos sem tecto e com céu à vista, fogo-de-artifício para celebrar as festas da Santinha e decorações de Natal.

E estamos a falar de montantes que davam perfeitamente para enfeitar o Pinhal de Leiria e ainda sobravam algumas lâmpadas para iluminar o quintal da vivenda do primo do Presidente. E construir uma piscina claro. Tudo pelos pequenitos da terra que precisam de água fresquinha para nadar. "Nada" por interesse próprio.

O governo comporta-se da mesma forma. Aliás tudo o que está sobre telha estatal parece ter este tique compulsivo de gastar o que não tem onde não deve. Deve ser uma coisa da genética política que ataca as pessoas quando chegam a cargos de poder. Eles não têm culpa. A culpa é do bicho. O bicho consumista que ataca e os força a delapidar o erário público com coisas que não lembram ao menino Jesus.

"Os serviços Municipalizados de água e saneamento de Loures gastaram em espumante 7.278,6 euros, só em 2010" conta-nos a revista Sábado. Mas estes sempre podem alegar que os testes realizados revelaram que a água não estava em condições de ser consumida.

Já o regimento de transmissões do Exercito (seja lá o que isto for) prefere o Whisky, 4200€ de puro malte. Compreensível. Se falta o álcool na caserna e ficam sóbrios ainda se apercebem do ridículo que é um pais como o nosso gastar milhões de euros com o Exército. E não vamos querer ter as tropas desmoralizadas porque podem ter de intervir em alguma operação stop na Amadora ou safar algum gato pendurado numa nespereira em Alenquer.

Se algum dia, por um mero acaso, forem chamados para justificarem o comportamento leviano relativamente ao uso do porta-moedas já de si roto do Estado, podem alegar que estavam sob efeito do bicho, o que os desresponsabiliza de qualquer gasto considerado injustificado, desnecessário ou insensato.

Em tempo de apertos há quem continue a ter para quase tudo, até para o espumante. É uma pena que seja sempre às custas do mesmo. Estes senhores pedem sacrifícios mas cobrem-se de vergonha todos os dias.