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100 reféns

O deputado pickpocket. Achas que sabes furtar?

Um deputado socialista achou que a melhor forma de terminar uma entrevista que o próprio apelidou de "conversa muito agradável" era furtando os gravadores aos jornalistas. Priceless.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

A conversa entre o deputado Ricardo Rodrigues e os jornalistas da revista "Sábado" estava a ser de tal forma "agradável" que o primeiro fez questão de ficar com os gravadores para poder ouvir em casa com mais calma e as vezes que entendesse. Pelo meio esqueceu-se de pedir emprestado, mas isso é um pormenor. Só não levou a câmara de vídeo também porque tinha deixado a mochila no gabinete e já não cabia mais nada no bolso.

A coisa só ficou por aqui porque foi tudo feito de forma "agradável". Se tem dado para o torto íamos ter dois jornalistas amarrados com fita-cola e meias de desporto enfiadas na boca e no exterior da AR um negociador da polícia a pedir calma ao senhor deputado de megafone na mão.

O Sr. Ricardo tem uma visão curiosa das coisas, vejamos: "Porque a pressão exercida sobre mim constituiu uma violência psicológica insuportável, porque não vislumbrei outra alternativa para preservar o meu bom nome, exerci acção directa e, irreflectidamente, tomei posse de dois equipamentos de gravação digital"

Portanto a melhor forma que o senhor deputado encontra para preservar o seu bom nome é "tomando posse" de coisa alheia sem consentimento do proprietário. Magnifico. E a palavra furto ganha um novo sinónimo: "acção directa". Portanto a partir de agora quem for apanhado a ser amigo do alheio só tem de dizer que "estava a preservar o bom nome e num acto irreflectido e através de acção directa acabou com uma caixa multibanco na parte de trás da carrinha".

Isto tudo causado por uma violência psicológica insuportável originada pela pressão claro. Eu cá quando me sinto mais pressionado vou logo à rua assaltar uma velhota por esticão, fico logo mais bem-dispostinho. Se não resultar vou à Igreja e trago a caixa das esmolas debaixo do braço. É tiro e queda. 

Já tive a oportunidade de ver um carteirista a actuar no Metro de Londres e digo-vos uma coisa: o deputado Ricardo não envergonharia em nada a classe (dos que se dedicam ao gamanço e não a dos políticos) se fizesse desta arte ocupação. Teria sucesso com toda a certeza. A suavidade com que "tomou posse" dos gravadores através de "acção directa" foi tal que eu não me admirava nada que os colegas o começassem a tratar por "mãozinhas" ou "deputado veludo". Já os colegas de bancada ou muito me engano ou vão começar a ter mais cuidado com o material electrónico por ali espalhado no hemiciclo.

Como pode este senhor continuar a exercer o cargo de deputado da Nação depois de uma cena destas? Lamentável. Só neste país.