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100 reféns

Adieu les bleus. E com o rabinho entre as pernas monsieur Domenech

França entrou no Mundial pela mão irregular de Thierry Henry e saiu dele sem que a mão mal-educada de Raymond Domenech fosse capaz de cumprimentar o treinador que o acabara de derrotar. Uma vergonha.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Todas as selecções acabam por ser uma ou outra vez o bombo da festa de um Mundial. Nós sabemos bem o que isso significa. Tivemos os nossos Verões quentes no México em 86 e na Coreia e Japão em 2002. Desta vez, tocou à selecção francesa o papel de pitre. Oh mon Dieu, dirão eles. "Graças a Deus", digo eu.

Já era altura dos franceses baixarem a crista do galo que ostentam nas camisolas. Galo que normalmente canta mais alto e conquista grande parte dos poleiros e galinheiros da FIFA e UEFA controlando tudo ou quase tudo.

Mas desta vez outro galo cantou e foi no próprio galinheiro, ou balneário, que começaram as primeiras bicadas. E numa verdadeira luta de galos tudo foi passando para o exterior, até que do que outrora foi uma selecção nacional restou um bando de gauleses indisciplinados metidos em situações caricatas, a fazer lembrar as melhores cenas de Astérix e Obélix.

O seleccionador francês, Raymond Domenech, tentou criar uma equipa à sua imagem. Reflexo detestável que cultivou durante anos e que no final se virou contra ele e, inevitavelmente, contra toda uma equipa cansada, impotente e incapaz de lutar. Saturada de se rever no mesmo espelho que reflectia a imagem de um triste homem que a grande maioria dos franceses desprezava há muito.

Este senhor prepotente, mesquinho, antipático e malcriado demonstrou por diversas vezes que não estava à altura do cargo que desempenhava. A sua incompetência e incapacidade de gerir um grupo e se relacionar com tudo o que rodeia uma equipa de futebol, incluindo a comunicação social e os adversários, ditaram o resto. Acabou com mais uma manifestação de mau perder, quando já tudo estava perdido e nada o justificava. Un fou.

Em apenas duas semanas houve de tudo um pouco: insultos; tentativas de agressões entre equipa e técnicos; expulsões de jogadores; declarações descabidas na imprensa; greves; 3 jogos, 1 ponto e 1 golo. E a França fora do Mundial completamente humilhada.

A França, como país que gosta de futebol, não merecia passar por isto. No entanto, acho que se tratou de justiça divina. Eles nunca deviam ter lá estado. Atrevo-me mesmo a dizer: é muito bem feito.