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100 reféns

Dom Duarte e os fornicadores implacáveis

D. Duarte em entrevista: "Tornar obrigatório o ensino da educação sexual resume-se a dizer: forniquem à vontade, divirtam-se...". Algumas considerações sobre o acto de "fornicar".

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Nunca imaginaria o Duque de Bragança, que reivindica ser o Príncipe Real de Portugal, a usar a palavra "fornicar". A menos que se estivesse a referir a um stand de automóveis em Fornos de Algodres: O Fornicar. Não que ache a palavra menos nobre e por isso vedado o uso aos que dizem representar o restos da Nobreza. Mas que diabo, soa mal. "Fornicar!"

Não me escandalizaria o uso de um termo similar, mas a figura pachorrenta e simpática que D. Duarte aparenta não se coaduna muito com o uso da expressão "fornicar". Talvez um truca-truca, treka treka ou ainda dar uma real...admitindo até o uso de uma mão marota a demonstrar gestualmente a malícia do pensamento e a depravação da garotada na prática desavergonhada e desinibida do coito. Mas "fornicar", "ensino" e "à vontade" tudo junto é que não. Péssima escolha.

Até porque as famílias reais não têm muito a ensinar aos Estados Republicanos nestas coisas da educação sexual. Basta recuarmos um pouco e ver que o "fornicanço" generalizado, por vezes incestuoso e bastante precoce era prática comum no seio de mui nobres casas. Muitos casavam sem saber a tabuada dos 3 e aos 15 anos de idade já iam no 4º filho. Uma educação sexual baseada na óptica do utilizador.

O Duque de Bragança até se pode considerar a Real excepção Europeia que confirma a regra, pois casou tarde e teve o primeiro de 4 filhos já com cara de avô simpático. Resta saber com que idade começou Dom Duarte a fazer o amor, e esperar sinceramente que não tenha sido apenas depois de se casar.

O termo "fornicar" serve apenas apenas para os fedelhos da plebe que frequentam aulas de educação sexual obrigatórias em vez das de religião e moral como desejaria D. Duarte: "desencorajam-se as aulas de educação moral e estamos a dizer que a moral não tem importância, que só a sexualidade livre é fundamental para a felicidade dos portugueses".

A moral é importante, mas convém alguém dizer aos adolescentes, principalmente na época em que vivemos, da tal "livre sexualidade", que usar um preservativo não é pecado e não será certamente imoral. Só mesmo na cabeça de quem age entre caçadas, tacadas, tainadas e touradas como se Portugal vivesse no passado é que uma aula de educação sexual pode ser responsável por transformar um grupo de crianças num bando de "fornicadores implacavéis".