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Expresso

100 reféns

Assim de repente o que é que fazias pela Selecção, pá?

Eu aviso já que não faço nadinha. Mas há por aí rapaziada que se for preciso ata a avó a um pára-choques e leva-a até à África do Sul a lavrar terra com a placa.

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Se por acaso furasse um pneu a caminho do estádio para ir assistir a um jogo da selecção o Pepe ou o Queirós vinham ajudar-me a colocar o macaco? O Bruno Alves vinha arrombar-me a porta do sótão a pontapé se eu perdesse as chaves? Não? E se eu lhe dissesse que o Saviola estava do outro lado a apertar os atacadores das chuteiras?

Porque raio anda sempre tudo com a Selecção A ao colo se nunca a vimos festejar absolutamente nada? Já levantaram algum caneco? Não haverá por aí muito desportista a precisar merecidamente de um milésimo do apoio e com outro tipo de moral, currículo e resultados para o obter? Há jornalistas desportivos que quando se fala em Cristiano Ronaldo parecem o cão do Sr. Pavlov.

Conseguiram um segundo lugar num Europeu (perdendo o jogo de abertura e a final com a mesma equipa e a jogar em casa) e um terceiro e quarto em Mundiais. Um em 1966, ainda o Eusébio andava aos pontapés à bola e Farmácia se escrevia com PH.

E então? Eu também fiquei em 3º lugar num torneio de natação quando era petiz. Éramos 6 nas pistas. Um dos miúdos tinha tido uma gastroenterite no dia anterior e mal saltou para a piscina desistiu para ir à casa de banho. Tiveram de interromper a prova para limpar a piscina. Outro era míope e tinha trazido os óculos sem graduação da irmã por engano. A páginas tantas passou por mim mas em sentido contrário. Parei e fiquei a olhar para ele porque pensei que eu é que estivesse a nadar no sentido errado. Acabei em 3º lugar por causa do puto míope. Bastard.

São desculpas? Pois são. E não é o que esta selecção faz sempre? Desculpar-se. Desde 1986 em Saltillo - México com greves e prostitutas à mistura que a nossa selecção arranja sempre uma ou várias desculpas para os resultados sempre abaixo do expectável. Em 2002 na Coreia do Sul e Japão os jogadores voltaram a facturar bastante fora do relvado e fartaram-se de fazer compras em Macau. Lá dentro metia dó vê-los jogar. Parecia que não comiam um papo-seco há 15 dias. E nós a apoiar.

E o caso Abel Xavier? Euro 2000. Semi-final contra a França. Uma mão na bola do tamanho do estádio. Penalty. Golo. Estava encontrado o bode expiatório para justificar o nosso afastamento. Era um bode austríaco com um apito na boca chamado Gunter Benko. Quanto a mim o bode Gunter só pecou por não ter escrito o número de telefone de um barbeiro no cartão que mostrou ao Abel, que agora parece que é Faisal.

Partimos sempre como um dos favoritos e saímos sempre como maiores injustiçados. Nunca por culpa própria atenção. Mesmo assim há quem faça as 24 horas de Le Mans montado num pónei se preciso for pela selecção nacional. Acho que já ia sendo altura de mudarmos o discurso. A pergunta do momento deveria ser o que é que esta selecção pode fazer pelos portugueses e não o contrario. Nós já fazemos muito.