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13 Maio de 2010: Dia do Milagre da Austeridade

Pedro para José: "O que trazes aí no teu regaço?" "Ó senhor dos Passos não vê que são medidas de austeridade?" "Palavra? Então anda daí amigo e vamos aplicá-las juntos".

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Com o Papa em Fátima o Primeiro-Ministro e o seu novo amigo do PSD não estiveram com meias medidas e proporcionaram a todos os portugueses um verdadeiro milagre: o do aumento dos impostos.

Mas antes de dizer o que quer que seja vamos ouvir o Primeiro-Ministro com atenção, apresentava-se o PEC no dia 9 de Março de 2010.

1 - Tolerância de Ponto com aumento de impostos se paga. Julgavam que iam andar por aí a acenar e dar vivas ao Papa e depois continuava tudo na mesma? Isso é que havia de ser cheiroso.

2 - Aos 20 segundos: "Opção política clara e fundamental neste PEC: Não haverá aumento de impostos" Ou seja, ficamos a saber duas coisas, a primeira é que o Governo tem vários tipos de políticas, ao que parece um deles é o das "claras e fundamentais". E as "claras e fundamentais" têm um prazo de validade de aproximadamente 2 meses. Provavelmente as que não são tão "claras e fundamentais" terão uma durabilidade superior. É possível, não se sabe.

3 - Aos 24 segundos: "Não haverá aumento de impostos para defender as empresas e para defender a economia portuguesa" ONTEM: dia 13-05-2010, o mesmo Primeiro-Ministro: "Estas medidas (referindo-se precisamente ao aumento de impostos) são fundamentais para defender a nossa economia" A pergunta que se impõe é se estas medidas podem ser consideradas de tipo "claras e fundamentais"? Ou seja, se daqui por dois meses podemos contar com novo pacote de medidas "claras e fundamentais" que venham substituir estas medidas "claras e fundamentais" de dia 13 de Maio que por sua vez vieram substituir as medidas claras e fundamentais do dia 9 de Março.

4 - Pedro Passos Coelho pediu desculpa aos portugueses e foi contra tudo o que havia defendido até agora de forma a ter os problemas mais difíceis resolvidos antes de ser Primeiro-Ministro. Provou querer o poder a todo o custo, mesmo que para isso seja preciso hipotecar o dia-a-dia dos portugueses. Esqueceu-se de um pormenor: ainda não é o Primeiro-Ministro e são os portugueses que o elegem. E se o país optar pela mudança não será para escolher um governante igualzinho ao anterior mas com menos cabelos brancos.Passos Coelho, se a coisa der para o torto como se antevê, terá perdido ontem as eleições. Louçã e Portas rejubilam.