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Bibliotheca Alexandrina



Exterior da Bibliotheca Alexandrina onde estão inscritas todas as formas de comunicação escrita conhecidas

Alexandre Magno passou por aqui e idealizou uma cidade de referência cultural ostentando o seu nome. Morreu dois anos depois. Ptolomeu traçou as suas ruas cosmopolitas e Cleópatra VII foi a sua última rainha. O nome de Alexandria traz contido a fama da sua biblioteca ardida.

Diz-se que cada barco que entrava no porto de Alexandria deveria entregar um livro para ser copiado na biblioteca. Assim se terá reunido a maior colecção da antiguidade: quinhentos mil manuscritos. Um fogo acidental consumiu este armazém de cultura. Com ele imolou-se a importância de Alexandria e o engenho intelectual dos alexandrinos.



Interior da rotunda onde a luz é filtrada a azul e verde

Em 2002, Alexandria ressuscitou. A poucos metros do que terá sido a famosa biblioteca, da qual resta apenas um manuscrito guardado em Viena de Áustria, ergueu-se a nova biblioteca de Alexandria, projectada por noruegueses. No exterior estão inscritos todos os alfabetos e formas de comunicação escrita conhecidos no Universo mas é o seu interior que emociona pela imensa capacidade. É uma colossal rotunda com capacidade para oito milhões de volumes onde os quinhentos mil exemplares, oferecidos simbolicamente na inauguração, parecem flutuar nesta vastidão de espaço livre. A luz é filtrada a verde e azul para repousar os olhos. As fendas nas paredes absorvem o ruído para que o silêncio sem ecos permita uma boa concentração. São uma alusão aos hiatos onde se guardavam os manuscritos. As cadeiras foram desenhadas para manter a coluna vertebral numa postura adequada. É uma biblioteca anatomicamente correcta. Em cada detalhe arquitectónico há um fantasma de destruição. Tudo foi planeado para que nenhum fogo possa consumir de novo o que tornou conhecida a cidade.

Quando foi inaugurada, a biblioteca pouco entusiasmo trouxe aos alexandrinos. Os hábitos estavam tão extintos como a alma da cidade. A biblioteca era um frio deserto onde livros e terminais de internet viviam ao ritmo de quem trabalha. Foram necessários vários meses para que os alexandrinos entrassem na biblioteca.



Jovens universitários a estudar. Em cima vêem-se as fendas nas paredes que absorvem o ruído.

Hoje, volvidos cinco anos desde a sua inauguração, a nova biblioteca recebe cerca de dois mil visitantes por dia. Poucos consultam. A maioria aproveita este espaço de saber depositado para estudar. A biblioteca tornou-se um prolongamento da própria Universidade. É um museu vivo em construção.



Interior da biblioteca



Hadja guia-me pelos sete pisos do complexo. "Não são só as estantes que recebem visitas.", recita o texto a uma velocidade turística. Nas criptas museológicas guardam-se guiões de filmes, cenários completos que fizeram sucesso, colecções fotográficas, cartas geográficas, tudo o que seja armazenável. A biblioteca criou um sistema de visitas guiadas para evitar converter-se num local de peregrinação, impedindo que a curiosidade legítima perturbe a atenção de quem se refugia neste conceito exemplar.

A Bibliotheca Alexandrina tornou-se um símbolo de futuro, de um Egipto fisiologicamente satisfeito. A primeira pedra de uma nova pirâmide.

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Monte Sinai

O Monte Sinai é um local de peregrinação para Cristãos, Muçulmanos e Judeus. Foi aqui que Moisés recebeu os Dez Mandamentos que moldaram os valores do Ocidente. Todas as noites, dezenas de pessoas sobem ao topo do Monte para contemplar o nascer do sol, um ritual com origens pagãs. As orações fazem-se a várias vozes. Idiomas e credos diferentes no mesmo local.





Luís Mieiro, médico