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Expresso

Roupa para lavar

Uma singela homenagem ao ministro da Economia e a Oliveira da Figueira, seu líder espiritual

A melhor frase sobre a vedeta da semana foi dita aos microfones da Rádio Renascença por Francisco Sarsfield Cabral: "Ir para a China falar nos baixos salários dos portugueses é como vender gelado aos esquimós ou petróleo à Arábia Saudita".



Esta bela frase teve o condão de fazer luz no meu espírito. Manuel Pinho é um português genuíno, legítimo herdeiro de Oliveira da Figueira, o memorável personagem português da saga Tintin.



Em homenagem ao bom Oliveira da Figueira e ao seu fiel seguidor Manuel Pinho reproduzo algumas vinhetas de Hergé bem como uma crónica sobre o nosso ministro da Economia que publiquei na primeira semana de Outubro, no diário económico Oje.



Borat Sagdiyev e Manuel Pinho

Manuel Pinho é como o herpes labial. Pode parecer que desapareceu, mas acaba sempre por voltar. Na 4ª feira de manhã, eu estava acondicionado num lugar de corredor de um Airbus da Lufthansa com destino a Berlim, a ler o International Herald Tribune, quando tropecei numa fotografia a quatro colunas do nosso ministro da Economia, com aquela cara, pessoal e intransmissível, de sósia involuntário de Mário Moreno, o célebre Cantinflas.. 

A estúpida inutilidade da publireportagem que ocupava duas páginas sobremesadas por uma página de publicidade da Galp, paralisou-me a boa disposição que ganhara com a leitura de dois magníficos artigos sobre a revolta dos chefs japoneses contra o açambarcamento pelos novos milionários chineses do atum "bluefin" e os sucessos do esforço da produção de esturjão em cativeiro que está a conseguir manter o caviar nas mesas apesar do brutal aumento da procura. Virei rapidamente as páginas da publireportagem, como o fizeram todos os leitores sensatos do "Trib".

Chegado a esta altura, devo dizer que simpatizo muito com Manuel Pinho, que teve a bondade de emendar um primeiro contacto telefónico hostil (da parte dele) com um convite para um almoço de peixe, onde se revelou uma pessoa culta, divertida e com excelente conversa. É encantador e impecável, mas tem tanta capacidade para o lugar como eu para colmatar a falta de uma ponta de lança eficaz no plantel do FC Porto.

Quinta feira, o Tribune incluía uma publireportagem de quatro páginas sobre o Cazaquistão. Não precisei de espremer muito as meninges para perceber o porquê. Nazarbayev, o presidente cazaque, ia recebido por Bush e os seus assessores pensaram que era uma boa ideia fazer uma publicidade que amaciasse os danos à imagem do pais causados por Borat Sagdyev.

Borat, um (falso) jornalista de televisão cazaque, é uma personagem do cómico inglês Sacha Cohen, que se estreou em 2005, apresentando em Lisboa os MTV Europe Music Awards, com uma exibição portentosa que desencadeou protestos oficiais do Governo de Astana. Sacha/Borat não desarmou, e tem vindo a garantir que apesar da bebida oficial do pais ser feita a partir da fermentação de urina de cavalo, o Cazaquistão é uma pais tão civilizado como qualquer outro – as mulheres foram autorizadas a viajar nos autocarros, os homossexuais foram dispensados do uso obrigatório de chapéus azuis e a idade do consentimento foi elevada para os oito anos.

Nos jornais de ontem, vi Pinho a corrigir. Que não, que os 3%  previstos para 2007de que falou na semana passada não se referem ao crescimento do PIB mas antes à redução do défice. E que o PIB ia este ano crescer 1,5%. Cada cavadela sua minhoca. As previsões do Governo são 1,2% de crescimento do PIB este ano e, para o próximo, reduzir o défice para 3,7%. Li também relatos de um encontro conspirativo de Pinho com a Repsol (no entretanto desmentido) para prepararem em segredo (ah,ah,ah!) a fusão da EDP com a Gas Natural.

Os cazaques têm Borat para os ridiculizar. Nós não precisamos.