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Roupa para lavar

Uma mulher assustadoramente elegante e estranhamente bonita chamada Lena

O melhor livro de Banda Desenhada que li este ano foi "Le Long Voyage de Lena", pré-publicado em três capítulos na revista BoDoi (edições de Junho, Julho e Agosto/Setembro).  É muito feliz o resultado deste casamento entre um hábil e surpreendente argumento, arquitectado por Christin (o autor de Valerian), e o desenho claro e luminoso de Juillard - que usa nesta história uma paleta de cores mais ao estilo do imperdível Le Cahier Bleu (nas aventuras de Blake & Mortimore, as suas opções estão baiadas pela herança de Jacobs).



A viagem de Lena é mesmo longa, e transporta-nos dos arredores da antiga Berlim Leste até ao Dubai, com escalas em Budapeste, numa cidade universitária romena, em Buenos Aires e na Turquia.



A misteriosa Lena, uma mulher tão assustadoramente elegante e estranhamente bonita como o são todas as mulheres de Juillard (que a dotou de um nariz cumprido que só lhe acrescenta charme e carácter), tem uma memória prodigiosa, um passado envolto em nevoeiro e anda pelo mundo a distribuir  embrulhos e mensagens, aparentemente ao serviço de um projecto terrorista.



O desfecho é surprrendente, pelo que não cometo a crueldade de o revelar. Fico à espera que Christin e Juillard se arrependam de ter dito que esta era uma "one shot story" e se disponham a fazer desta fabulosa aventura de Lena a primeira de uma longa série de histórias.