Siga-nos

Perfil

Expresso

Roupa para lavar

Sim, eu fui a Las Vegas e não só não joguei como também não me casei

É extraordinário. Absolutamente extraordinário. Estive quatro dias inteirinhos instalado no Luxor (é aquele hotel-casino em forma de pirâmide que tem à frente uma réplica da Esfingie da altura de um prédio de cinco andares), em Las Vegas, a cidade do pecado, e não pequei (uma única vez que fosse), nem joguei, nem me casei. Acho que estou a um passo da beatificação. Temo que os meus amigos me passem a tratar como o beato Fiel.

Jogar podia. Casar não podia, porque já usufruo desse estatuto legal. Reincidir na contracção dos laços do matrimónio implicaria deslizar para as turvas águas da bigamia - que além de pecado é também crime. Ora eu posso ter muitos defeitos mas não sou um criminoso.

Podia jogar, mas não joguei. No thriller "O Peso da Prova", Scott Turow escreveu: "A libido é uma espécie de portão enferrujado. Uma vez aberto, é muito difícil fechá-lo". Dito por outras palavras, há demónios que mais vale deixar em sossego. Deixei de fumar há 15 anos e não ouso, nem por brincadeira, pegar num charuto. Adoro a emoção ("thrill") de um jogo de poker mas tive medo de trocar cem dólares em fichas ("chips") e sentar-me à mesa de pano verde. O jogo é como a libido...

As gigantescas salas dos casinos impressionam. Estão sempre a uma média luz, pontuada pelos irrequietos neons das "slot machines", que nada revela sobre a hora do dia. Tanto pode ser meio dia como meia noite.  Acresce que não há relógios nas paredes nem a mínima sinalização da saída. A única maneira segura de descobrir o caminho para a rua é seguir os letreiros que indicam Registration, pois o balcão do "check in" fica sempre junto à principal porta de entrada.

Las Vegas tem 1,8 milhões de habitantes (e uma fantástica taxa demográfica de crescimento de 5% ao ano!) que vivem essencialmente da mono-indústria da cidade - o entretenimento, em todas as suas vertentes.



Em 2006, a Meca do jogo foi visitada por 38,9 milhões de turistas que asseguraram uma generosa ocupação dos 132.600 quartos de hotel da cidade.

Os casamentos são um dos subprodutos mais emblemáticos da oferta turística da cidade. Em 2005, realizaram-se 122.259 casamentos em Vegas. Este ano prevê-se uma verdadeira loucura de casamentos para o dia da sorte que só ocorre uma vez por século: 7.7.7 (7 de Julho de 2007). 



Cada hotel-casino tem produtos estruturados de casamento. A oferta do Monte Carlo Resort & Casino começa com o Princess Package, que cobra 385 US dólares pelo casamento, que terá de se realizar de 2ª a 6ª (feriados e fins de semana estão excluidos), e acaba no Chateau Royale Package, que custa 1510 USD, que inclui um jantar para dois no restaurante Blackstone's, duas noites no "standard deluxe room", 20 fotos e um DVD para mais tarde recordar.

 

A cidade do vício e do pecado é um lugar estranho. É impossível andar na rua sem coleccionar pequenas cartas coloridas em que as Lily, Savanna, Misty, Nikki, Angel,  Kira, Sandy, Yvonne, April, Harmony, Belle, Bonnie, e por aí adiante, disponibilizam os seus serviços (o leque de preços da minha amostra oscila entre os 35 USD e os 65 USD, sendo que a Kissarah e a Krista cobram 79 USD mas são duas e garantem "free introduction", seja lá o que isso for...) e fornecem uma amostra dos seus atributos fisicos.

Para chamar a atenção do pessoal e provocar alguma polémica, optei por abrir este "post" com uma composição feita a partir destes cartões.



No entanto, a prostituição, legal na maior parte dos condados do Estado do Nevada, e proibida no Clark County, ou seja em todo o perímetro urbano de Las Vegas.

Outros aspectos draconianos da lei são surpreendentes. Nas noites de fim de semana ou de dias feriados, os menores de 18 anos estão proibidos de circularem na Strip (os cerca de seis quilómetros da Las Vegas Boulevard bordados por casinos dos dois lados) depois das 21 horas, a não ser que estejam acompanhados pelos pais. Fora da Strip, os sub 18 não podem circular sozinhos na rua depois das dez da noite, à semana, ou após a meia noite, aos fins de semana.

Para não dotar este "post" de uma dimensão pantuagruélica e de dificil digestão, optei pelo formato fascículos e ao longo dos próximos dias continuarei a socializar com todas as preclaras e preclaros as minhas mais fortes impressões desta estadia em Las Vegas. Usando o formato de diário.

Ora aqui está uma bela imagem do Hotel-Casino Luxor, que foi a minha casa durante quatro noites