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Expresso

Roupa para lavar

Requiem pelo Marrachinho que foi anexado pelos Mosqueteiros

 

 

O Marrachinho vai morrer prematuramente, com 37 anos de idade, e eu não estou nada satisfeito com isso. A partir de Novembro, o Algarve vai ficar mais igual ao resto de Portugal e do país e do Mundo.

 

Ora não me parece nada que este movimento seja bom para uma região cuja identidade lhe garantiu, em tempos idos, um lugar ao sol no nome do nosso pequeno mas maravilhoso país.

 

Durante uma data de gerações, os nossos monarcas intitularam-se reis de Portugal e dos Algarves, o que era um tremendo elogio à marca Algarve (por amor de Deus, não me venham falar na marca Allgarve, porque senão eu passo-me!!!).

 

Este processo de absorção da marca local pela global continua imparável e é um dos efeitos secundários perniciosos da globalização.

 

Como é seu hábito (está-lhes inscrito no código genético), na primeira oportunidade de empochar pingues lucros, os grupos Amorim e Espírito Santo venderam as suas posições na Telecel aos americanos da Pac Tel, que, por sua vez, foram comprados pela Vodafone.

 

Os ingleses mantiveram a marca local durante algum tempo, depois juntaram-lhe a sua e o operador 91 passou a denominar-se transitoriamente Telecel-Vodafone, após o que, como é bom de ver, verificou-se a apócope da marca local. Esta transformação fica documentada para todo o sempre na evolução recente das camisolas do Benfica.

 

Na banca, o Santander (mau Maria, outra marca global que usa o vermelho, querem ver que a irmã Lúcia tinha razão?) está a fazer a mesma coisa ao Totta. A dar-lhe um abraço de urso. 

 

Por falar em vermelhos, a táctica usada pela URSS face aos "países amigos", que viria a reunir no Pacto de Varsóvia, ficou conhecida por "abraço de urso", designação que também serviu para designar a absorção pelos partidos comunistas ocidentais dos partidos de esquerda que se deixavam satelizar e entravam na sua órbita.

 

Deixando, por um momento, o vermelho, e regressando ao verde e ao Algarve, acabo de saber que o grupo francês "Os Mosqueteiros" comprou os 18 supermercados da cadeia algarvia Marrachinho e que em Novembro vai substituir esta marca local pelas suas insígnias Intermarché e Ecomarché.

 

Apesar deste meu pronunciamento não resolver coisíssima alguma, deixo  aqui ficar o meu mais vigoroso protesto.

 

Quero que toda a gente saiba que eu sou total e absolutamente esta espécie de Anchluss!

 

E não resisto em chamar a atenção para o facto do verde do Marrachinho ir ser substituído pela infeliz combinação de vermelho (cá está ele outra vez do lado do Lobo Mau) e preto (outrora usada pelo Futebol Benfica).

 

Sei que nos resta o Alisuper (também verde). Mas não é a mesma coisa. Esta cadeia de supermercados situa-se num patamar claramente inferior ao do Marrachinho, não só na variedade da oferta e qualidade das lojas mas também, e essencialmente, no nome.

 

Marrachinho é um nome absolutamente fabuloso e fantástico. Não se limita a ser graficamente bonito. Soa de uma maneira absolutamente espectacular. Garanto-vos que se fosse eu a comprar o Marrachinho manteria a marca, pois acho que ela é um dos seus mais preciosos activos.

 

Mais casos como este da anexação do Marrachinho e um tipo anda numa rua ou num centro comercial, olha para as os letreiros das lojas, bancos e restaurantes, e fica sem saber se está em Bristol, Valência, Gdansk ou Albufeira.

 

 

EVOCAÇÂO

Três saudades em anexo

 

Neste triste momento em que o pobre do Marrachinho, qual coelho pascal  está a ser sacrificado no altar da globalização, quero partilhar com o bom povo da lavandaria uma pequena galeria de coisas do passado de que sinto falta:

 

Bolachas Moreirinha. Produzidas pela Confeitaria Costa Moreira, da Praça dos Poveiros no Porto. Está fechada e entaipada há mais de uma dezena de anos.

 

BPA. A rede de balcões do Banco Português do Atlântico e o seu Gabinete de Estudos eram das melhores jóias do Porto. Gone with the wind. Those were the days.

 

Os antigos autocarros de dois andares verdes do STCP. Aquele verde, entre o inglês e o seco, era fabuloso e imbatível. Sempre detestei os laranjas (apesar de gostar da cor).  E devo reconhecer que o amarelo (cor que além de ser boa para autocarros também fica muito bem em biquinis, independentemente da portadora estar morena ou ser mais a puxar para o lexivia) da Carris de Lisboa também é muito bonito.