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Expresso

Roupa para lavar

Os esteios da doutrina Fiel sobre a lavagem de mãos

 

Apesar da péssima imagem que Pôncio Pilatos deu do acto, acho que está na hora de colaborarmos activamente com a campanha de reabilitação da lavagem das mãos lançada pelo Correia de Campos.

 

Não tenho sequer uma pinga de simpatia pelo ministro da Saúde, um baixinho contaminado pelo complexo do Napoleão da casota do cão (1).

Ele bem quer competir com os colegas Pinho e Lino, mas estes são claramente de outro campeonato. Correia de Campos disputa com Isabel Pires de Lima um lugar ao sol na liga menor do disparate.

 

Correia de Campos apelou aos trabalhadores da Saúde para que lavem as mãos no intervalo do manuseamento de dois pacientes, o que estes levaram a mal, da mesma maneira que eu não apreciaria que alguém me viesse recomendar que não tirasse burriés do nariz antes da meia noite e me abstivesse de dar traques ao jantar ou de comer com a boca aberta.

 

A ideia era boa, a concretização infeliz e o ministério da Saúde tentou e muito bem emendar a mão organizando uma fuga de informação estatística que faz a manchete do JN de hoje: "Obrigação de lavar as mãos reduziu em 30% as infecções no S. João" (uma opção apesar de tudo melhor do que voltar ao caso Maddie).

 

Eu tenho algumas ideias bem claras sobre a magna e candente questão da lavagem de mãos.

 

Acho que não devemos exagerar, para evitar desarmarmos as defesas do organismo. Não é por acaso que as crianças que só aos três anos vão para o infantário estão sempre a apanhar doenças e são uns peléns quando comparadas com aquelas que foram desmamadas de casa aos três meses.

 

Por isso, não me parece mandatório ir a correr lavar as mãos sempre que se vai comer alguma coisa. Comer no sentido literal, não figurado, porque se se vai fazer amor com alguém, acho indispensável, obrigatório mesmo, lavar as mãos primeiro.

 

Porquê? É um lavar das mãos à Pilatos? perguntam as preclaras e os preclaros frequentadores desta lavandaria. 

 

A minha resposta é não. Devemos lavar as mãos antes para não corremos o risco de infectarmos, com as nossas mãos sujas (isto está a ficar um bocado sartriano, não acham?), as cavidades das nossas parceiras que temos a obrigação de estimular digitalmente, com o máximo da competência ao nosso alcance, no âmbito dos preparativos.

 

Também considero obrigatório que nós, homens, lavemos as mãos antes de satisfazermos as nossas necessidades fisiológicas de carácter líquido.

 

Antes? Não depois? Estarei eu a fazer confusão?

 

Não. A minha resposta volta a ser um rotundo não (2). Espremam essas meninges. Já repararam que o pirilau está lavadinho e aconchegadinho, protegido no suave remanso dos boxers, enquanto que a mão que o vai manusear anda desde manhã em contacto com todo o tipo de porcarias do mundo exterior, moedas e notas incluídas, que só Deus sabe onde andaram antes -  boa parte delas testemunham até o facto de que anteriores proprietários as usaram como auxiliares da ingestão de substâncias ilícitas.

 

Recapitulando, resumindo e baralhando. São dois os esteios essenciais da doutrina Fiel sobre a lavagem de mãos (3).

 

1. É opcional lavar as mãos antes das refeições;

 

2. É obrigatório lavar as mãos antes de ir fazer xixi ou amor com alguém.   

 

  

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(1) O conceito do Napoleão da casota do cão foi inventado por mim e pretende descrever o exercício gratuito, mesquinho e brutal de autoridade por parte do pessoal menor, que assim se julga vingado da ausência efectiva de poder.

 

Exemplos?

 

O empregado da repartição de Finanças que nos manda para o fim da fila porque nos falta preencher uma linha do impresso.

 

A empregada do Centro de Saúde que às 19h46 se recusa a atender-nos porque o centro fecha às 20h00 e ela tem instruções rigorosas para não dar andamento a nenhum processo a partir das 19h45.

 

No baptismo do conceito inspirei-me numa visão de pequeno mas irritante cão, amarrado por uma corda, que uma vez vi a ladrar com um possesso junto à sua casota, coma atitude napoleónica de quem diz: Neste raio de um metro à volta da minha casota quem manda aqui sou eu!, ouviram bem?!?, auauauauauauaurrrrrrrrrrrrr auauaua!, quem manda aqui sou eu!

 

O infeliz do Correia de Campos revelou "urbi et orbi" estar possuído pelo complexo do Napoleão da casota do cão quando, informado por um diligente delator da JS (vai longe na vida, este rapazola...), saneou a directora de um SAP minhoto por ter deixado estar afixado durante um dia ou dois um cartaz em que um médico muito justamente gozava com uma frase idiota dita pelo ministro no âmbito de um inquérito de férias.

 

(2) A vida quer-se assim. Os não devem ser rotundos, os incêndios devem ser violentos e as férias devem ser merecidas. Adoro frases feitas – clichés.

 

(3) Eu, pessoalmente, adoro lavar as mãos com sabonete Magno, pois gosto do formato oval e dar cor preta