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Expresso

O País dos Prodígios

Uma promessa felizmente incumprida

Felizmente, o primeiro-ministro decidiu não fazer o referendo. Aqui lhe dou os parabéns, citando de memória uma das frases mais célebres de Guterres: 'Há mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por 1000 justos que entram'.O pecador que se arrepende é Sócrates.

Prometeu, letra de forma no programa do PS e letra de forma no programa do Governo, um referendo ao tratado. Arrependeu-se.

Mas, como uma criança apanhada a mentir, não reconhece o erro e grita:

- Não, isto é uma coisa diferente, não é o Tratado Constitucional...

Entretanto, os seus assessores vão dizendo: 'ele queria, coitado, mas não pôde; havia o Presidente, os outros líderes europeus a pressionarem...'.

E nós, claro, bem sabemos que quem quer cumprir uma promessa cumpre-a e quem não quer arranja sempre desculpas.

Mas mesmo do ponto de vista de Sócrates, ele ganharia mais em assumir que não podia cumprir o prometido ou - mais séria ainda - que a promessa feita não tinha sentido e era mero eleitoralismo (recorde-se que o PSD prometeu o mesmo).

Do meu ponto de vista, ainda bem que não nos fazem passar pela suprema humilhação de fingirmos que estamos conscientemente a votar um tratado. Ainda por cima este Tratado de Lisboa que, para o compreender, é preciso já ter decorado pelo menos dois tratados anteriores (o de Roma e o de Maastricht) e comparar cada artigo desses tratados com as alterações agora introduzidas.

Prefiro a verdade: avançamos, confiados na palavra do senhor líder da Oposição, do senhor primeiro-ministro e do senhor Presidente da República, já que todos dizem que isto é bom para Portugal.

Pior seria se nos convencessem - mais tarde e se algo correr mal - que fomos nós, os eleitores, que conscientemente escolhemos.