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Expresso

O País dos Prodígios

A Santa Ameaça

Gostava de conhecer o senhor que, no Ministério da Educação, anda preocupado com o facto de as escolas terem nomes de Santos. É provavelmente a mesma pessoa que já se preocupou com a existência de crucifixos nas salas de aula.

Gostava de a conhecer, sobretudo, para poder estudar tão prodigiosa mente.

No ensino, já se sabe, vai tudo bem. Subsiste apenas um ou outro problema (talvez relacionado com um crucifixo).

Mas uma ameaça paira sobre esta máquina poderosa e bem organizada que são as nossas escolas: as crianças são cada vez mais religiosas; acorrem à catequese, à missa, à sacristia com a alegria beatífica a irradiar-lhes o rosto. Nas aulas são contemplativos e bem comportados, imitam São Tomás de Aquino e Santo Agostinho no conhecimento, São João Bosco na aprendizagem e São Jerónimo na paciência.

Havia que pôr fim a esse desvio terrível e medieval que é o gosto da rapaziada das escolas básicas e secundárias pela atitude contemplativa e a vida regrada.

Foi então que o tal senhor do Ministério da Educação (com a devida cobertura dos seus superiores hierárquicos) actuou imediatamente recomendando o fim dos nomes de Santos nas escolas.

Ditosa pátria que tais filhos tem.