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Expresso

Jornalismo de Sarjeta

Evidências preocupantes

O XXX Congresso do PSD, que acaba de terminar em Torres Vedras, revela duas evidências.

A primeira é uma novidade. O PSD - que, com a liderança de Luís Filipe Menezes, passou a ser o primeiro partido português a ser institucionalmente assessorado por uma agência de comunicação - tem uma nova imagem de marca. Não só porque o seu presidente (ausente do palco político por excelência que é o Parlamento) anuncia contacto amiúde com o exterior através de "briefings" regulares com a comunicação social. Mas sobretudo porque promete deselegância, muita deselegância, na forma de lidar com os contratempos que lhe surjam ao caminho. Viu-se bem na tarde de sábado: com o convite hipócrita, aos microfones do Congresso, para Manuela Ferreira Leite permanecer no lugar de presidente da Mesa do Congresso, assim a forçando a recusar publicamente; e com a convocação de uma conferência de imprensa exactamente para a mesma hora em que Pedro Passos Coelho, o rosto de uma possível alternativa de futuro dentro do PSD, subia ao palco para discursar.

A segunda é uma confirmação. Luís Filipe Menezes bem pode ter dado o tudo por tudo para colar os cacos e unificar o partido. Não conseguiu: a sua Comissão Política Nacional foi aprovada por 474 delegados, contra cerca de 300 que votaram em branco e se isto não bastasse para comprovar a falta de unanimismo a votação para o Conselho Nacional (a que acabaram por concorrer 9 listas diferentes) reiterou-o: a lista do novo presidente social-democrata obteve 254 votos (20 mandatos), mas a encabeçada por Castro Almeida conseguiu 212 (16 lugares no Conselho Nacional) e a de Pedro Duarte 118 (a que correspondem 9 mandatos). Não é difícil fazer as contas para perceber que a modorra que marcou este conclave (um dos mais desinteressantes da história do PSD) é meramente circunstancial. Menezes vai estar sob vigilância atenta daqueles que agora, e por uma justa questão de respeito para com a vontade dos militantes de base que exerceram o seu direito de voto nas directas, mantiveram um silêncio calculado, dando aparente benefício da dúvida ao novo líder.

O PSD dispõe de apenas dois anos para se afirmar como alternativa credível ao PS de José Sócrates. E qualquer das conclusões de Torres Vedras não augura um futuro próspero.

Cristina Figueiredo, jornalista