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Expresso

Flagrante deleite

O fotojornalismo de olho no vídeo

O editor executivo de fotografia do Daily Telegraph acaba de chegar à chefia do jornal ( desde o passado dia 16) e está decidido a fazer uma revolução multimédia.

" O futuro dos fotógrafos do telegraph é o vídeo" - disse Stuart Nicol fazendo uma previsão do que será no futuro próximo a relação do fotojornalismo do telegraph com a fotografia e o vídeo, a edição em papel e edição online.



Na Associação de Imprensa, de que Stuart Nicol foi presidente até janeiro passado, 42 fotógrafos estão já equipados com as novas Canon S3, uma pequena câmera de 500 euros que permite fazer num cartão de 2 gigas 16 minutos de vídeo com qualidade óptima para a internet e ao mesmo tempo fotografar numa resolução superior para se obter uma fotografia com definição suficiente para publicar no papel.



O que o novo editor de fotografia do telegraph pretende é introduzir um novo conceito multimédia no fotojornalismo, o que me deixa muito entusiasmado.

Sinto que não estou só.



Quando estive de editor multimédia no EXPRESSO, antes do cargo que agora ocupo de coordenador-geral de fotografia, introduzi algumas experiências com fotógrafos que resultaram.

Uma delas foi feita por António Pedro Ferreira durante uma entrevista a Bill Gates. A meu pedido ele fez um pequeno vídeo com uma câmera amadora, mas de excelente qualidade, e pusemos o vídeo a correr online anunciando a entrevista de Sábado no papel.



Eu mesmo filmei a apresentação da candidatura de Cavaco em vídeo e transformei um pequeno vídeo que passou online numa versão em slideshow a preto e branco feita com frames do filme e passados a preto e branco.

Algumas vezes fotógrafos em reportagem enviaram-me fotos feitas com telemóvel, em cima do acontecimento, ultrapassando a agilidade das agências, da rádio e das televisões. O online permite este desafio e é uma das características que me leva a adorar este meio.



Mas o que está a mudar no fotojornalismo é muito relevante.

Fotógrafos como Cristopher Morris e Nachtwey da Agência Seven ( verdadeiros gurus do fotojornalismo) já falam em audio e video para ilustrarem melhor as suas fotografias.



 O melhor exemplo, sublime mesmo, é o site Magnum inmotion que sendo produzido pela mais prestigiada agência de fotojornalismo, criada em 1946 por Henri Cartier-Bresson, é o mais avançado em expressão multimédia tendo como base as fotografias e os fotógrafos mais ortodoxos da história do fotojornalismo.



A relação entre técnica e estética ( um dos temas caros para mim nas minhas aulas na Universidade Autónoma) não pode ser alienado.

A nova tecnologia digital, barata, eficaz, acessível para o utilizador está a abrir novos horizontes para o fotojornalismo.



A convergência da fotografia com o video e o audio na mesma câmera e na mesma work station, com ferramentas que se cruzam e completam é o verdadeiro mundo multimédia.

Se cruzarmos as edições tradicionais de jornais em papel com as edições online então percebemos como o fotojornalismo tão ligado ao papel tem agora o seu golpe de asa: o vídeo e o audio como complemento para o online.



Este é um grande desafio de futuro que precisa de fotojornalistas abertos e entusiastas pelas novas linguagens e de jornais onde se sinta a necessidade inevitável de apostarmos no futuro.

Não no descrédito do papel.

Mas sim no entendimento que uma marca vende no papel, na net, nos telemóveis, nos outdoors, nos ipods, na televisão ou até em sinais de fumo se os leitores preferirem esta forma de comunicação.





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Luiz Carvalho

Coordenador-geral de fotografia