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Expresso

Flagrante deleite

Não são terroristas são sindicalistas da PSP





fotografia dos sindicalistas da PSP embuçados como terroristas, tirada pelo jornal gratuito "Destak", e que o EXPRESSO cita na edição de sábado, foi para mim um choque.

 

Não a tinha visto publicada, nem reparei na reportagem que a TVI fez do acontecimento reivindicativo da corporação. Quando a salvei para a edição não queria acreditar. Seria a ETA, a Al-Quaeda ? Não. Eram polícias portugueses e a data não era 1975, era 2006.

 

Eu já tinha ficado estupefacto o ano passado durante uma manifestação de polícias em Lisboa, que eu fotografei, com o comportamento vergonhoso de muitos dos manifestantes. As fotos que então fiz, eram de cenas indignas de uma corporação que se deve afirmar pela disciplina, a educação, o civismo, a frieza nos momentos empolgantes.

 

Muitos dos participantes estavam bêbados, outros brincavam com a farda como se fosse um Carnaval, outros insultavam o primeiro-ministro e o ministro da tutela.

Havia alguns mais exibicionistas que se deitavam no chão, simulavam velhice avançada, apresentavam-se como figuras patéticas, tristes, desgraçadas.

 

Uma das posturas que não se deve nunca perder é a dignidade, a auto-estima. Aqueles cromos da bófia estavam ali a desrespeitar tudo e todos. Um regabofe que foi transmitido pelas televisões. Os protagonistas, da linha da frente, traziam t-shirts com o Che Guevara, abraçavam-se e choravam, dois vinham fardados.

 

Consequências? Nenhumas. Não houve um processo disciplinar, um castigo, uma repreensão. Uma expulsão.

 

O governo fez ouvidos de mercador e tapou o Sol com a peneira. Agora aí têm: embuçados como se fossem terroristas. É um escândalo. Depois admirem-se que a polícia não seja respeitada e digam que perdeu o prestígio.

 

A fotografia de má qualidade acentuou o lado obscuro, clandestino, cobarde da coisa.

Às vezes a falta de nitidez acentua o dramatismo, a mensagem torna-se mais eficaz.

De novo a discussão sobre as virtudes das imagens feitas com telemóveis, jornalismo do cidadão, neste caso da polícia (!).

 

Voltaremos a este debate.

Até lá cuidado! Onde pára a polícia?

 

Luiz Carvalho

Coordenador-geral de Fotografia do EXPRESSO