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Flagrante deleite

Coffee com Annan e Durão no Falcon

À minha frente Margarida Sousa Uva lia o Paris-Match com uma reportagem sobre o marido Durão Barroso. Na outra fila do corredor do pequeno Falcon a jacto alugado pela Comissão Europeia, o Presidente Durão Barroso falava descontraídamente com Kofi Annan.

Eu sentia-me um privilegiado.Viajava tête-à-tête com dois dos homens mais influentes do Mundo.Nas filas de trás ia o meu colega Daniel do Rosário, correspondente do EXPRESSO em Bruxelas, o correspondente do El Pais e o staff de Durão Barroso.



Ser fotógrafo tem destes previlégios, outras vezes desconfortos, são estas e outras situações que fazem do fotjornalismo uma profissão fascinante.

Durão Barroso tinha convidado o EXPRESSO na sua viagem a St. Petersburgo à Cimeira do G8. Ia sentado naquele lugar para poder fotografar melhor o ambiente da viagem, em especial o Presidente da Comissão e o Secretário -geral da ONU.



Ao princípio Durão Barroso não estava à vontade com a câmera e eu tive o cuidado de não insistir muito em fotografar. Quando senti que era o momento pedi-lhe e foram minutos muito divertidos.

Ao ter perguntado a Kofi Annan se não se importava que eu o fotografasse ele respondeu que só com uma condição: se lhe desse depois as fotografias, rindo-se.



Pediu-me a Canon emprestada, pegou-lhe sem saber onde era o disparador, depois começou a fotografar-me. Tirei entretanto a minha pequena câmara de bolso Ricoh GR ( trago-a sempre comigo) e comecei a fotografar Kofi a fotografar-me ( uma confusão!).

Entretanto Margarida Sousa Uva, que sempre quis ser fotógrafa, pegou na minha pequena câmara e começou também a disparar. Fotografámo-nos uns aos outros, depois já era o staff que também queria ser fotografado ao lado do "patrão" e de Kofi Annan. Muito divertido.



Quando voltei a ter a Canon nas mãos não perdi tempo,  começei a disparar.

O ambiente era de tal forma descontraído que permitiu eu ter feito a fotografia que o EXPRESSO publica esta semana em grande formato: Durão e Kofi em amena e bem disposta cavaqueira.



Foi o meu director Henrique Monteiro que gostou da fotografia ( tinha sido usada em teste para um dos números zero do berliner) e a publicou com grande destaque pedindo para o efeito um texto a Durão Barroso.



Fiquei muito feliz com esta publicação. É a prova de que uma fotografia pode gerar por si um facto e tornar-se numa fotografia que mexe connosco.

Luiz Carvalho

Coordenador-geral de Fotografia do EXPRESSO