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Emprego e Carreira

"Prático e pragmático"!

Cresci com o meu pai a dizer-me que "a maior parte dos nossos problemas persistem, precisamente, pela atitude que temos perante os problemas". Quanto mais cresço, mais concordo! Ainda não cheguei aos 30, mas desconfio que quando chegar à idade actual do meu pai a realidade não será diferente. Infelizmente.

 

Um dia, numa conferência sobre empreendedorismo em que estive como moderadora, perguntaram-me na minha opinião o que faltava ao país para fomentar a criação de empresas. Respondi: "Atitude!". Poderia ter respondido minimizar a burocracia, facilitar o acesso ao crédito, mais capital de risco, entre inúmeras outras coisas que talvez ajudassem, mas por si só nada resolveriam. Respondi "Atitude!". Voltaria a responder hoje. Mais responderia hoje. Para tudo na vida e não apenas no mundo empresarial.

 

Nunca entendi porque nos minimizamos nós face a outros países, quando temos excelentes exemplos em todas as áreas. Porque não raras vezes insistimos em fazer o papel coitadinhos. Porque desistimos e cruzamos os braços à primeira contrariedade. Porque sacudimos para os ombros dos outros, culpas e fracassos nossos. Nunca entendi porque temos tanta vergonha de ter errado um dia e nos recusamos a ver isso como uma experiência positiva de aprendizagem.

 

Nunca entendi, porque razão na maior parte das empresas portuguesas se cultiva esta ideia de que os problemas, os erros e as culpas nunca são nossos e são sempre de alguma outra pessoa. E também nunca entendi que lógica é esta de responder a um problema com fugas, adiamentos, injustiças e pessimismos. Em tempos tive um amigo de quem as circunstâncias da vida me afastaram – as circunstâncias e também a dita atitude – que tinha uma máxima que aplicava a tudo. A sua abordagem perante todas as questões da vida era "prática e pragmática!".

 

Eu talvez não considerasse esta norma universal, mas reconheço que há falta dela nas nossas empresas. Portugal tem problemas, tal como os têm todos os países. Há contrariedades, tal como as há em todos os países. Há trabalhadores insatisfeitos, tal como os há em todos os países. A diferença, talvez abissal, é a "atitude"! A vontade de mudar, a necessidade efectiva de resolver sem adiamentos uma realidade desfavorável, a recusa ao conformismo e ao caminho fácil das coisas certas, ao emprego sem desafios. Falta a atitude de conquista que um dia tivemos e falta lembrar que a história se persegue e não existe apenas como herança.



Cátia Mateus, jornalista



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