Siga-nos

Perfil

Expresso

Emprego e Carreira

Meio Portugal não se quer levantar da cama

"Cátia: Rui, quando é que sentes que está na altura de mudar de emprego?

  Rui: Como?! Desculpa?

  Cátia: Isso Rui... em que momento é que uma pessoa tem certeza que está na altura de mudar de emprego?

  Rui: Quando deixas de estar motivado.

  Cátia: Mas há desmotivações temporárias, passageiras...

  Rui: Há! Mas quando chegas ao ponto de não te apetecer levantar da cama para ir trabalhar, quando só te apetece faltar ou sair mais cedo, quando deixas de te importar e, sobretudo, quando deixas de questionar e perdes a vontade de fazer melhor e argumentar... é altura de mudar! Não falha.

  Cátia: Aposto que meio Portugal não se quer levantar da cama...

  Rui: meio Portugal está acomodado!

  Cátia: ou não muda porque tem dúvidas, porque quer perceber bem os sinais...

  Rui: e demora a vida toda a percebê-los?! Uma vez instalada a dúvida, a mudança é o caminho!"

 

O Rui é meu amigo e já tivemos largas dezenas de conversas "laborais" sobre a mudança e outros temas. Normalmente, tem a ver com mudança. É que o Rui – que não é o mais internacional dos meus amigos, mas já tem um pezinho lá fora, no mercado de trabalho global fruto de uma experiência nos Emirados Árabes – é na verdade o menos acomodado de todos os meus amigos. E tem orgulho nisso. Eu também.

 

É por isso, pelo seu inconformismo e pela sua ideia de que é sempre possível fazer melhor, que gosto de falar com ele sobre estes temas. As nossas conversas têm matéria para durar uma eternidade e acabo sempre com novas ideias para novos artigos e com a frase completa: "Rui, tu és um case-study!"



Lembrei-me desta conversa e de outras que já fui tendo com o Rui nas duas mudanças profissionais que fez recentemente e sobre as quais quis ouvir a minha opinião. Na última das suas mudanças eu estava céptica em relação aos argumentos. O Rui que na altura não tinha um dilema, mas sim um "trilema" começava a ponderar a opção de deixar o seu emprego e tinha em análise duas propostas de trabalho de peso, uma cá e outra no estrangeiro.



Eu achava que ele se estava a precipitar e que se sentia aliciado com a hipótese de voltar a sair do país. Mas o Rui desarmou-me por completo ao dizer "Cátia, eu ainda não desmotivei, mas o processo já se iniciou e eu não quero que avance. Quero sair!". Aplaudi. O Rui, que já mudou de emprego mas decidiu ficar por terras lusas (e ainda bem!) deu-me a certeza de que a maioria das pessoas trava consigo mesma uma batalha interna para "calar" a voz a desmotivação. Não vê ou não quer ver os sinais de que é hora de mudar e não aceita que está na altura de dar o salto. E os sinais são óbvios.

Ora, analise:



. Está permanentemente desmotivado para o trabalho?

. Só se sente bem quando sai do trabalho ou chega a casa?

. Estar no escritório é um sacrifício?

. Apetece-lhe faltar ou sair mais cedo?

.O simples som do telefone ou de e-mails a chegar tiram-no do sério?

.O único motivo pelo qual trabalha na empresa é o facto de necessitar do salário?

. Está desmotivado em relação ao que ganha?

.Começa a ter pouca paciência para o chefe e para os colegas?

. Está a deixar de ter vontade para argumentar ou contribuir para mudar o que pensa que está mal?

. As suas perspectivas de crescimento na empresa ou progressão na carreira são quase nulas?



Então, é MESMO hora de arriscar e mudar de emprego! Não precisa de adoptar a decisão radicar do "Despeço-me já!", mas comece a procurar novas hipóteses e a trabalhar para sair de onde está. A sua permanência nesse emprego vai condená-lo à ruína e estagnação profissionais.



Cátia Mateus, jornalista



 Visite aqui o expressoemprego.pt