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Expresso

Ela é carioca

Viva o novo Público

Hesitei muito antes de vos falar deste tema. Diz-me muito do ponto de vista pessoal e certamente este pequeno comentário não conseguirá dizer aquilo que muitas pessoas gostariam de ouvir. Mais uma vez, era mais cómodo calar.

Por todos os motivos e mais alguns, torço fervorosamente pelo sucesso da renovação do "Público". Afinal, foi ali que comecei a fazer jornalismo a sério, foi ali que aprendi grande parte do que sei, foi ali que convivi com grandes colegas. Foi ali que vi as pessoas a se esquecerem de que tinham uma vida pessoal em troca da crença na construção de um projecto informativo.

O "Público" diz-me muito, portanto. É, a par do "Expresso", o meu jornal. Sempre foram. Uma vez fui convidada para integrar um projecto jornalístico em outro título. A resposta foi difícil porque a equipa era muito boa e eu iria aprender muito, mas a decisão foi fácil. Eu não podia ir trabalhar para um jornal que eu não comprava. Eu sempre comprei o "Público". Como sempre comprei o "Expresso". Tenho colegas que esperam pelos dias em que vão trabalhar para levarem os seus exemplares de graça para casa. Nunca fui assim, sempre investi naquilo que faço.

O "Público" mudou. Está a mudar. Abriu mão do logótipo e de muitos profissionais. Diz que se está a reinventar para combater a crise da imprensa. Espero que sim. Desejo-lhes muita sorte e sucesso. É importante para a nossa classe, para o desenvolvimento da profissão, para o pluralismo da informação, para a efectividade da democracia.

Estou ansiosa para ler o novo "Público". Espero gostar e espero que gostem. Mas confesso, não me levem a mal, temer que as saudades sejam mais fortes que a ansiedade pelo desconhecido.

Christiana, jornalista