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Expresso

Ela é carioca

Três perplexidades

I. Paisagens Múltiplas

Pode uma explosão ser contida? Pode o estrondo ser silencioso? Pode uma fotografia ser pintura? Pode. Na Gulbenkian está patente uma exposição ainda ignorada pelos media que surpreende pelo contraditório. Surpreende aos incautos porque o autor – Ricardo da Cruz Filipe – assume-a logo no título: Paisagens Múltiplas.

São 40 pinturas, que, ao primeiro contacto parecem fotografias. São propostas de interpretação da realidade, uma "forma vária" de olhar o mundo. Apesar da multiplicidade, a exposição é extremamente coerente.

São pinturas-enigma, como sugere o texto de João Pinharanda. São poemas sobre a água, as pedras, as nuvens. Sobre um país silenciosamente ruidoso. Um país outro. Como o autor, que eu conheço de outro universo. Um espelho visto de dentro.



II. Jardim Museu Agrícola Tropical

Um domingo de sol como vem nas canções populares. Uma brecha no cinzentismo que nos tolhe. Um cantinho silencioso de Lisboa, em pleno burburinho turístico de Belém. Tão perto-longe dos pastéis.

O Instituto de Investigação Científica Tropical/Jardim-Museu Agrícola Tropical foi uma descoberta. Há 13 anos, mais ou menos, bati-lhe à porta. Estava fechada. Desta vez entrei. Paguei 1,50 euros e valeu à pena. Árvores como as que via no Rio de Janeiro. Silêncio.

Pena é a degradação aparente. E o facto de o espaço remeter para o período de um Portugal colonial, com estátuas/cabeças de negros colocadas nos portões, como hoje se colocam os leões do Sporting ou as águias do Benfica.

O imaginário levou-se de volta aos contos de Lygia Fagundes Teles, aos segundos sentidos de cenários aparentemente inocentes. Às realidades segundas.



III. Entrevista de José Maria Ricciardi, presidente do BESI

Gostava muito dos editoriais do Sérgio Figueiredo. Pensei na falta que fariam quando foi anunciado que sairia do jornalismo para ingressar no mundo empresarial.

Na edição de hoje do Jornal de Negócios é publicada uma entrevista que ele fez ao presidente do BESI para a televisão.

Confesso que me faz alguma confusão a presença do Sérgio como entrevistador em acúmulo com o cargo de administrador da Fundação EDP. Sobretudo quando parte da entrevista é justamente sobre a estratégia do BES para a empresa eléctrica. Uma realidade outra.



Christiana, jornalista