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Expresso

Ela é carioca

O nome dele é Perjovschi

Já tinham ouvido falar de Dan Perjovschi? Eu, confesso, só deparei com ele quando visitei o Moma há cerca de um mês. Olhei para cima e em uma parede inteira de, para aí, seis metros, lá estava ele. Ou melhor, a sua ironia simples, directa.

 

Até ao fim deste mês, quem por lá passar, vai poder ver o homem comum, em bicos dos pés, a espreitar por trás das riscas da bandeira norte-americana. Ou os rostos anónimos, manchados com a fuligem da poluição das chaminés. Ou a lista espessa do que temos de fazer, ao lado da lista do que gostamos de fazer. A relação amor/dinheiro representada pelo beijo na boca e a mão no bolso do parceiro.

 

Romeno, Dan Perjovschi desenha directamente nas paredes um pouco por todo o mundo, conforme explica o seu site oficial (www.perjovschi.ro). Meio cartoonista, meio graffiteiro, sempre crítico, sempre cidadão. Sempre criança. Por mais aguda que seja a observação subjacente ao seu traço, é impossível não esboçar um sorriso triste, quando penso na representação do imigrante, que se desintegra quando passa a fronteira. Ou na dureza do "ME" gigante, perante um "you" mais que minúsculo.

 

Os siameses "mainstream" e "alternative" nos confrontam com o ridículo dos discursos que tentam apropriar-se da modernidade. Outro sorriso amarelo vem-nos à cara quando vemos a representação do indivíduo que pede à câmara de filmar o seu número secreto da caixa Multibanco. Um ar culpado nos invade quando olhamos para umas calças de ganga estropiadas com uma etiqueta de 150 dólares e outra, mais composta, a custar 50 dólares. Ou para as mulheres de burka que se cumprimentam: "Você está maravilhosa hoje!".

 

Perjovschi, 46 anos, diz que, no seu trabalho, "há momentos de pensamento intenso e outros momentos de puro jazz". Querem melhor forma de abordar a realidade: com extrema racionalidade e imensa improvisação!? A Culturgest Porto já abrigou este ano uma exposição deste artista. Infelizmente eu não vi. Mas fui a tempo de descobri-lo, esparramado por uma parede do Moma. Valeu, Dan, obrigada!



Christiana, jornalista