Siga-nos

Perfil

Expresso

Ela é carioca

O cão tem de sair à rua todos os dias

Ontem fiquei a pensar seriamente se tenho levado o cão à rua todos os dias. Acho que aqui em Portugal, muitas vezes, os cães têm ficado em casa. Já nem sei se lembram do alívio que a rua lhes pode dar.

Ontem participei de um grupo de discussão sobre a forma como o jornalismo nacional tem acompanhado determinado assunto mediático. Gostava de vos dar mais detalhes do projecto, mas ainda não posso. O processo está em curso, em plena fase de análise, e seria prematuro. Mas, sem causar entraves à pesquisa, garanto que está a ser feito por gente séria, com uma metodologia cientificamente concebida.

Mas também não é aqui que está a notícia. O título surgiu na minha cabeça, quando, na reunião, me vi confrontada com uma concepção muito crítica do jornalismo de economia que se faz em Portugal. Visto de fora, à partida, é uma especialização posta em causa por alguns actores da sociedade.

Devo dizer, e não vos vou surpreender na afirmação, que discordo dos preconceitos generalizados e mal fundamentados. Devo, contudo, assumir que me vi confrontada com uma questão mais profunda e para a qual não tenho resposta ou que se tentasse ter, esta não seria muito positiva.

Será que todos os dias, cada jornalista especializado em temas económicos (e não só, mas é a estes que me dirijo) se recorda das suas funções básicas? Da sua missão?

Obviamente que esta missão não é diferente da dos demais jornalistas e está intrinsecamente ligada à forma de exercer o jornalismo em geral, cumprindo as normas profissionais de cruzamento de fontes, contextualização da informação, vigilância dos poderes instituídos, divulgação de informação de interesse público.

Cada vez mais, a função de cão de guarda (o conceito de "watchdog") parece não ser a primeira preocupação dos jornalistas. As fontes não gostam desta atitude, sentem-se incomodadas e, pior, o incómodo das fontes já não causa surpresa. Deixou de ser notícia. Espero que esta análise seja concluída, divulgada e crie um efeito de questionamento na sociedade. Dar-vos-ei novidades.

Para já, os cães estão fechados em casa e já não lembram do alívio que a rua lhes pode dar.

Christiana, jornalista